052 – Almoço em Casa da Marluce

É meio dia, vamos embora almoçar.

O pessoal veio preparado com comida! Estão todos a almoçar no meio dos Tamarindeiros!

Em casa da Marluce, os filipotes continuam a fazer-se. Cheiram bem.

Eis as minhas 7 cavalas com banana frita preparadas pela Madalena, a mãe da Marluce.

Mas tenho aqui um cliente à espera dum bocadinho.

Foram 4 peixes para mim, 1 para o gato, e 2 para a Marluce, que não quis comer no momento, guardou-os. Não sei se os deu a alguém. Banana frita então dei o prato todo, quase, pois se eu comi 5 ou 6 tiras já foi muito. Estava tudo saboroso.
Eu pensava que este era um gato bebé, tão pequeno, mas a Marluce disse-me que não, que é uma fêmea e que já teve crias!!

Está feijão na panela, a cozer.
A Madalena diz-me que tem família em Portugal. Cunhados, tio.

E entretanto o filipote ficou feito, e a Madalena – mãe da Marluce – deu-me este pedaço para eu provar. Isto é bom que se farta! Gostei bastante. A Madalena perguntou-me se eu queria mais, mas eu já estou cheia, com o peixe e com a banana frita, e agora mais este pedaço de filipote, pelo que recusei. Nem me ocorreu no momento, mas eu devia é ter-lhe comprado um ou dois para levar!

A Marluce é madrinha desta bebé, que se chama Micaela Sofia. São primas. A mãe é a Cláudia, que vai aparecer mais abaixo. A Marluce e a Cláudia vão buscar madeira para lenha, para cozer carne, e perguntam-se se quero ir com elas. Eu acedo.

A caminho da lenha, passamos em casa do irmão da Marluce, o guia Ju do museu. Esta é a sua mulher e o seu filho.

Está na hora de eu partir. Nem sei ainda como vai ser a minha viagem até Belém. Perguntei onde é que posso ir fazer xixi, e a Marluce mandou-me para este espaço, no quintal, rodeado de tapumes. Desconfio que aqui não é a casa de banho, porque cheira muito bem, cheira a água de banhos. Aqui é onde se toma banho. Se se fazem as necessidades, então o odor está totalmente camuflado. As pedras têm musgo, de estarem sempre molhadas.

E é novamente o Naí (ou Naír?) da crónica 44, quem me leva na sua moto-táxi até Guadalupe. Agora não tenho a bicicleta, pelo que é tudo mais fácil.
Despedi-me da Marluce e da sua mãe com dois beijinhos (aqui em São Tomé e Príncipe dá-se beijinhos como cumprimento, aprendi no Príncipe, quando a Mulata, no restaurante da Kita, se despediu de mim com dois beijinhos também). Antes de partir ainda fui comprar mais bananas, também para deixar à Marluce, mas já só tinham um cacho. Venderam tudo! Dei cinco dobras, e pediram-me dez. Mas depois uma senhora lembrou-se que eu tinha lá estado de manhã, e que comprei dois cachos por dez dobras, pelo que aceitaram agora as 5 dobras por um. Dei algumas bananas à Marluce, e trouxe eu outras tantas.

Paguei dez dobras ao Naí por levar-me na mota. É o preço normal. Da primeira vez paguei quinze. E ao chegar a Guadalupe, haviam duas carrinhas de táxi partilhado que iam para a cidade. Tudo à pressa, tudo a despachar-se. O preço é dez dobras, pois é partilhado entre várias pessoas, algumas apanhadas pelo caminho. É como se fosse um autocarro. Os percursos são fixos, como já comentei noutra crónica. “Oh branquinha!” – chamou-me um deles. Mas eu acabei por ir nesta carrinha com este motorista de cabelos brancos, magro, muito sério, conhecido por “Pastor”. Inspirou-me mais confiança, o outro estava a fazer um grande alarido a chamar-me.

A carrinha onde vim de táxi partilhado até à cidade. O Pastor está a estacioná-la. Diz-me para eu esperar, pois vai indicar-me onde é que se apanham os táxis partilhados até Belém.

Preciso de ajuda, preciso. Encontrar o meu táxi-partilhado no meio destes todos é uma confusão. Mas isto está tudo definido, todos têm uma paragem fixa. Eu é que sou novata e desconheço qual é.

“Capela” é uma povoação perto de Belém. O meu não estará muito longe!

É este! Trindade e “aredores”! 🙂 Belém é mesmo ao lado de Trindade!
Agradeci a paciência e a gentileza do motorista Pastor, que me trouxe até aqui e me entregou a outro motorista. Agora é preciso esperar que cheguem 5 pessoas para Trindade e arredores. Quando o táxi estiver cheio, partimos. Pelo menos uma cliente já tem!
Entretanto o motorista disse-me qualquer coisa sobre eu ter de sentar-me para verem que o táxi tem gente, pois é preciso mais gente para completá-lo. (Só faltou eu fazer-lhe continência. Obedeci e sentei-me no lugar da frente). Depois gritou com uma passageira a dizer que o carro custa dinheiro, porque ela fez qualquer coisa mais brusca. Esperei cerca de dez minutos, talvez, que o carro enchesse, e partimos.

E às 14h45 cheguei ao resort. Vim no lugar da frente, no táxi, conforme referi, dado que fui a primeira cliente a chegar. Atrás foram 4 pessoas. A viagem é muito curta, 5 minutos, mas sempre em grande subida durante 8 km. O Célio Santiago tinha-me dito que o táxi era 15 dobras. Eu dei uma nota de 20 e não recebi troco. Fiquei sem perceber qual é o preço. Quando eu saí, ficou ainda uma mulher sozinha no táxi, que seguiu viagem.

Gastei portanto 40 dobras para vir de Morro Peixe até Belém: 10 pela moto até Guadalupe, 10 pela carrinha até à cidade, e 20 pelo carro até Belém. Hoje de manhã paguei 300 dobras para ter uma mota exclusiva só para mim. A diferença é muito grande. Acho que vou aderir a esta coisa dos táxis-partilhados.

Entretanto o meu biquíni já está lavado e a secar. Tenho receio de deixar o biquíni aqui fora a secar, durante a noite, mas a bicicleta de carbono do Célio cá continua, ninguém a leva. Porém o biquíni faz-me falta, irei levá-lo para dentro do quarto, pelo sim pelo não.

Hoje passei as habituais 9 horas fora. Chegar às 3 da tarde ao resort parece muito cedo, mas eu acordei às 4 e saí às 5 e meia da manhã. São dias muito intensos – às 3 da tarde quero descansar, tomar banho, despachar-me, e às 17h30 é noite cerrada. Tenho de tratar das fotos, fazer o backup, preparar o dia de amanhã na bicicleta, e antes das 20h estarei a dormir, pronta para novas aventuras.

Aqui fazem uns 25 graus, o que para mim é frio e faz-me vestir uma camisola de mangas compridas. As galinhas esgravatam no chão e baixam-se imediatamente para comer o que aparece. São tardes tranquilas com muitos pássaros a cantar. Mas ouve-se uma música distante, em altos berros, que consegue chegar aqui.

Eu já só tenho 20 dobras de saldo no telemóvel. Perguntei no quiosque Agente CST, aqui ao lado, como é que posso passar a Moche. O pessoal fala-me muito do Moche. Então aqui no quiosque explicaram-me que são 10 dobras por dia e dá direito a 60 minutos de chamadas por dia para outros Moches. Se falarmos apenas dois minutos, paciência, perdem-se os restantes 58 minutos. Não transitam para o dia seguinte. Ou então 150 dobras por mês, disseram-me. Na loja CST do Príncipe, quando comprei o cartão, deveriam ter-me falado desta opção. Agora só faltam duas semanas para ir-me embora, já não compensa. E percebo também porque é que recebo constantemente sms “Call me”, para eu ligar-lhes. Quem é que vai pagar 10 dobras para fazer uma chamada? Ninguém quer pagar. Imaginem vocês, caros leitores, aqui em Portugal (ou onde quer que estejam) que cada vez que quisessem fazer uma chamada, tinham de carregar o telemóvel. Isto é um pesadelo. Normalmente carrega-se uma mensalidade fixa e temos as redes todas incluídas. Sim, porque aquelas dez dobras é só na mesma rede. Para outras redes – paga!… Muito gostava eu de saber os tarifários da Unitel. Devem ser iguais, pois o pessoal só me fala do Moche, não me fala da Unitel, é porque não são famosos também. Atenção que tudo isto foram os santomenses que me explicaram. Quando enviei um email à Unitel e à CST a perguntar por um cartão de telemóvel, durante as férias, nenhum me explicou os tarifários, ou enviou nenhum link com eles. Só me responderam que sim, que posso comprar um cartão no Príncipe.

Efetivamente lá me dei ao trabalho, ao escrever esta crónica, de ir a ambos os sites investigar isto. E não existe mesmo nenhum tarifário com uma mensalidade fixa que inclua todas as redes. Todas as chamadas são pagas uma a uma. Por um lado é bom, também compreendo o lado positivo da coisa – as pessoas só pagam as chamadas que fazem. Mas por outro lado, ninguém quer pagar as chamadas uma a uma, há sempre uma contenção na hora de agarrar no telefone.