051 – Na Praia dos Tamarindos

O Kener é um mergulhador de snorkeling que leva turistas também, consigo. Disse-me o preço e eu esqueci-me, acho que anda pelas 200 ou 300 dobras, cada mergulho. Eu fiquei com o seu número de telefone para organizar um mergulho de snorkeling nos próximos dias. Terei que ver a minha agenda. Não dou conta do recado com tanta coisa para fazer. Perguntei-lhe se não faz mergulho com botija de ar, respondeu-me que não. É que eu prefiro fazer mergulho com botija de ar. Se tenho licença PADI é para usá-la!
E os garotos daqui, que devem tê-lo visto três mil vezes, cercam-no sempre, pelos vistos, curiosos.

O que o Kener apanhou hoje.

Dez dobras por dois pequeninos cachos (oito bananas ao todo, salvo erro). Estas são bananas-maçã, as pequeninas e de sabor frutado, parece que têm sumo de laranja ou maçã misturado. Uma delícia.
Por esta altura vou acompanhada da Marluce. Eu digo-lhe que agora vou à praia dos Tamarindos dar um mergulho, e ela diz-me que vai comigo. Perguntei-lhe se alguém pode preparar-me um peixe frito com banana frita, ou fruta-pão assada, que eu pagarei a refeição. A Marluce leva-me então a sua casa, para perguntar à mãe.
Entretanto eu disse ao Pajó que já não será preciso levar-me a Belém (o Pajó é daqui desta zona, recordo), que eu logo me desenrascarei. Talvez experimente finalmente um táxi-partilhado. Logo verei, para já o meu único plano é dar uns mergulhos e almoçar a seguir.

A mãe da Marluce, cujo nome é Madalena. Está a preparar uma comida típica que se chama Filipote, o qual é feito com mandioca cozida, embrulhada em folhas de bananeira, e assado na brasa. Agora vai na fase de preparar as folhas em pequenos tubos, onde será colocada a mandioca.
A Madalena diz à filha para ela arranjar peixe para mim, que fritá-lo-á para eu comer, juntamente com banana frita. Pediu-me 10 dobras para a banana-pão, eu dei 50, também para pagar o trabalho.

A casa da Marluce, onde vou vestir o biquíni.

O quarto da Marluce, onde troquei de roupa.

Foi difícil arranjar peixe para mim. Ainda batemos a algumas portas, em primeiro lugar à do Kener, que já tinha vendido tudo. Que pena. Depois fomos a outra casa, e aí disseram que já só têm cavalas. Arranjam-me 7 cavalas por 20 dobras. Aceitei. Nem sei o que são cavalas, mas eu quero é comer. A rapariga do vestido branco foi então a esta terceira casa buscar-mas. Na foto não se vê, mas ela traz um saco na mão com as 7 cavalas, que eu e a Marluce iremos dar à mãe desta, para fritar, enquanto nós vamos à praia.

A mãe da Marluce continua entretida com os filipotes. Agora coloca a mandioca dentro dos tubos feitos com folha de bananeira.

E aí vamos nós, eu e a Marluce, à praia dos Tamarindos. Eu já com o biquíni vestido.

A caminho da praia, que dá última vez fiz de bicicleta, e agora faço a pé. Recordo que hoje o Pajó foi buscar-me de mota a Belém para fazer o passeio de barco. Hoje estou sem bicicleta.
E dois rapazes estão a jogar futebol completamente nus.

A Marluce leva-me por este atalho. Ajuda-me a levar a mochila e o capacete (que eu usei para vir de mota). Eu levo o saco de bananas, que já compartilhei com a Marluce e com a mãe, e uma garrafa de água de litro e meio.

Chegámos às 10h40 à Praia dos Tamarindos. Hoje é sábado, que surpresa, tanta gente. E só posteriormente, ao rever esta foto, é que me apercebo que estão uns branquinhos lá ao fundo. Aumentando a imagem, parecem-me ser os meus compatriotas do Porto, com os quais me cruzei na crónica 44. Mas não tenho a certeza.

Não se deixem enganar pelo céu nublado. Faz calor (o sol vai aparecer mais daqui a pouco) e a água está morna.

Ensinei a Marluce a tirar fotos com a minha máquina.

Eu venho concentrada no chão, a andar, pois existem rochas aqui nesta parte.

Já estou com a marca dos calções e da tshirt, está visto.

A Marluce não quer tomar banho. Eu perguntei-lhe, ainda em casa,  se não tem uns calções que possa levar para dentro de água, mas a Marluce diz que não lhe apetece. Aproveitamos para comer mais umas bananinhas, e a Marluce, que tem 20 anos, conta-me que passou para o 12º ano, na área de Letras, na escola de Guadalupe. São 20 dobras para ir e voltar de moto todos os dias. Os pais estão separados, a mãe sustenta-a sozinha. Quer ser hospedeira. Mas ainda não decidiu. De qualquer forma quer seguir a universidade. Não quer casar nem ter filhos para já. Eu disse-lhe que faz bem, que tem tempo, e que agora tem de estudar muito para entrar na universidade. A Marluce tem um irmão que anda numa cadeira de rodas, contou-me, o qual foi viver para Portugal, também para receber tratamentos, com 14 anos de idade. Este seu irmão tem agora 27 anos e veio a São Tomé conhecer os irmãos, há poucos meses atrás.

A Marluce está sentada debaixo duma das árvores que dão nome a esta praia: os Tamarindeiros, árvores tropicais, sensíveis ao frio, e que dão o fruto Tamarindo. O termo “tamarindo” vem do árabe, uma palavra que em português significa “tâmara da Índia”.

A Marluce insiste para que eu prove o tamarindo. É ácido. Só toquei com a língua, tenho receio que me faça doer a barriga, digo eu à Marluce. Ela ri-se.

Leio isto na Wikipedia:
Usos do tamarindeiro:

Fruto: a polpa, com sabor agridoce, é usada no preparo de doces, bolos, sorvetes, xaropes, bebidas, licores, refrescos, sucos concentrados e ainda como tempero para arroz, carne, peixe e outros alimentos.

Sementes: ao natural, servem de forragem para animais domésticos; processadas são utilizadas como estabilizantes de sucos, de alimentos industrializados e como goma (cola) para tecidos ou papel. O óleo extraído delas é alimentício e de uso industrial.

Madeira: o cerne da madeira é de excelente qualidade e pode ser usado para diversas finalidades; forte, resistente à ação de cupins, presta-se bem para fabricação de móveis, brinquedos, pilões, e preparo de carvão vegetal.¹


¹ “Tamarindus” (s.d.) Wikipedia. Página consultada a 6 Novembro 2019,
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tamarindus