047 – Pelas Ruas da Cidade de São Tomé

A chegar ao Forte de São Sebastião, onde é hoje o Museu Nacional de São Tomé e Príncipe.

As estátuas de João de Santarém, Pêro Escobar e João de Paiva em frente à fortaleza. São os nomes ligados ao descobrimento da ilha de São Tomé, em 1470, e da ilha do Príncipe, em 1471.

Este é o Dimas, o jardineiro do museu. Efetivamente venho a segui-lo desde a última crónica. Na última foto da crónica anterior ele já se vê ao longe. Vinha na minha direção e abordou-me. Até mete respeito, com uma enxada ao ombro. O que quererá ele? Pelo sim, pelo não, mantenho-me afastada da enxada 🙂 Ora afinal o Dimas é de uma enorme gentileza e vai ajudar-me. Ajudar-me em quê?, podem perguntar. Em que é que eu preciso de ajuda?

A minha prioridade aqui na cidade é encontrar uma farmácia que venda adesivos para pôr pensos nos pés, de forma a proteger as esfoladelas que fiz na praia do Bom Bom, no Príncipe (crónica 17). Já se passou tanto tempo que até é melhor eu recordar o que se passa: molhei os pés e as sandálias na praia, e depois fui fazer uma caminhada de 2,5 km. Resultado: com o surrafar das sandálias molhadas, e com a areia, acabou por fazer uma esfoladela em cada pé. Com a posterior subida ao Pico do Príncipe (10h de caminhada) as esfoladelas transformaram-se em feridas abertas. Entretanto já estão a sarar novamente, mas têm que estar protegidas com pensos e compressas. Já fui a duas farmácias aqui na ilha de São Tomé – Trindade e Guadalupe – e nenhuma tinha adesivos. Portanto, a minha urgência, antes de visitar seja o que for, é encontrar os adesivos.
E o Dimas, que caminhava na minha direção não sei para onde, resolveu fazer um desvio no seu caminho e levar-me à farmácia. Sim, porque a cidade de São Tomé já é relativamente grande, e percebi depois que não seria fácil chegar à farmácia sozinha. Teria que ir perguntando.
Tirei esta foto já a caminho. Eu com a bicicleta pela mão, a caminhar ao lado do Dimas e da sua enxada.

A Catedral de São Tomé, construída pelos portugueses no século XVI.

Pelo caminho encontrei a Aleida! (Das crónicas 33 e 34). Como o mundo é pequeno. Ela ia acompanhada dumas pessoas, e trocámos apenas meia dúzia de palavras. Disse-me que aqui em São Tomé já está muito calor, como ela tinha dito que estaria. Tinha-me dito isto quando estávamos com frio e a chover torrencialmente, no aeroporto do Príncipe. “Ótimo, estou muito contente!” – respondi-lhe eu, visivelmente satisfeita, e rimo-nos as duas.

O meu amigo Dimas, ao fim de 20 minutos a caminharmos, deixou-me finalmente na Delegação de Saúde, onde existe uma farmácia. Pedi-lhe para segurar na bicicleta enquanto lhe tirava uma foto. Convidou-me para almoçar Calulu no domingo com a sua família. (Hoje é sexta-feira). Calulu é um prato típico de São Tomé, feito à base de legumes. Disse-me para eu deixar o meu número de telemóvel com a funcionária do museu. Eu perguntei-lhe porque é que não anota já. Porque o dele caiu à água, não tem telemóvel, vai comprar hoje um novo! Bom, o meu também está a sofrer os males da água, mas ainda funciona!!, respondi-lhe. Ilhas tropicais nem sempre cooperam com telemóveis… isto é tudo muito aquático por aqui.

A farmácia.

Há adesivos! Finalmente tenho adesivos! A senhora farmacêutica mostrou-me uma caixa cheia deles. Quantos quer?, perguntou-me. Até respirei de alívio. Cada um 25 dobras; comprei três, com uma nota de cem, e dei as 25 dobras de troco ao Dimas, que não queria aceitar, mas eu agradeci-lhe a paciência e os vinte minutos de caminhada. E fiquei de dar o meu número de telemóvel à funcionária do museu. “Não esquece!” – pediu-me. Não esqueço, não, eu quero experimentar o calulu!

Entretanto o Dimas foi à sua vida, perguntou-me se eu sabia o caminho de volta até ao museu (agora é que irei visitar o museu), eu respondi que sim, que me orientaria (além de que tenho o GPS. Por curiosidade deixo a nota de que “farmácia” não aparecia nenhuma, no GPS, pois eu testei logo de manhã). E vou pedalando rente ao mar.

A EMEL tem uma irmã gémea aqui em São Tomé!!!

Moto-táxis.

Amendoins nas garrafas.

Ainda tenho outra coisa para comprar: pasta de dentes! A minha já está a acabar-se. Mas esta loja é grossista, e só vendem packs de seis. Mandaram-me para o supermercado ao lado.

“Quero uma foto!” – exclamou ele. Eu olhei, surpreendida com este pedido inesperado. Mas ele afinal não me tinha visto, e estava a dizer isto por causa do seu trabalho. Ele precisava de uma foto qualquer ligada ao seu trabalho e ao que estava a fazer. Quando me viu, ficou ele próprio surpreendido com a coincidência, e rimo-nos os dois. Eu apareço de máquina fotográfica ao ombro, e ele exclama “Quero uma foto!”, até a mim me surpreendeu tamanha prontidão para tirar fotos… Eu soltei uma gargalhada. E acabei mesmo por tirar-lhe uma foto.

Paguei 10 dobras por uma garrafa de água de 50 ml (0,40€) e 25 dobras por uma pasta de dentes Colgate (1€).

Este é o interior da Catedral de São Tomé. Quando ia para a farmácia, não quis fazer esperar o Dimas, que queria ele próprio despachar-se e já estava a fazer-me um favor, quanto mais esperar que eu visitasse a Catedral.

O Palácio Presidencial – residência oficial do presidente da república de São Tomé e Príncipe. Este edifício foi construído no tempo do colonialismo português, e alojava no passado o governador da colónia.

Este rapaz anda a vender pulseiras e artesanato pelas ruas. Abordou-me. Será que tem pulseiras para homem? O meu namorado encomendou-me uma. Já tenho uma feita no Príncipe, mas não sei se ele gostará. Mais vale levar-lhe duas.

Comprei esta jaca de São Tomé com um íman para o frigorífico, 50 dobras.

E como não tem pulseiras, vai desfazer um colar de sementes e vai fazer uma pulseira aqui no momento. 50 dobras também.

Chama-se Leciley da Fonseca. Tem Facebook, disse-me, mas eu não o encontro com este nome. Deve ter uma alcunha, se calhar. Deu-me o resto das sementes com que fez as pulseiras. Uma era pequena, seria para mim, mas eu não quis gastar mais 50 dobras, pelo que não a trouxe.

Mais outra pulseira para o meu namorado. Infelizmente também não gostou dela, pelo que agora tenho três pulseiras, a minha e as duas dele. E eu já tenho a mão branca de usar luvas para a bicicleta.