037 – Cascata de São Nicolau

A loja de recordações. Há ali umas pulseiras, mas nenhuma é de homem, como fiquei incumbida de encontrar pelo meu namorado.

A minha bicicleta presa ali em baixo, nas antigas bombas.

São 8h. “O museu só abre às 9, agora está nas lavagens”, disse-me esta senhora.

O Raír e o Elu. (Será assim que se escreve?) O Raír diz-me que o seu nome de escola é Nerisom. Raír será a alcunha pela qual é conhecido, portanto.

Lá em baixo a minha bicicleta atrai os garotos. Eu estou relativamente longe, eles nem dão conta que eu estou a fotografá-los com o zoom no máximo.

Eu disse à senhora que ia só passar no corredor do museu, cá fora. Eu estou a andar de bicicleta, posso lá estar uma hora aqui sentada à espera que o museu abra. Percorri o longo corredor (o que se vê atrás do Raír e do Elu), tirei estas fotos pelas janelas e fui-me embora. Fica por fazer uma visita mais detalhada, portanto.

Parto às 8h45 e escondo a garrafa de água de litro e meio aqui no meio destas ervas. Está tão bem escondidinha que espero encontrá-la quando cá voltar, no regresso da Cascata. É que não consigo beber tudo – enchi os dois cantis e ainda sobra bastante. A 40 dobras não é para deitar fora. Irá fazer-me falta quando regressar, se calhar. Escuso de comprar outra. A garrafa está dentro dum saco preto, ninguém vai vê-la.

Esta subida é interminável. Nesta casa ao lado canta-se em alto e bom som “Não há ninguém como Jesus”. Uma voz feminina acompanha outra voz do rádio. Já esta manhã, quando fotografei a gasolina, também se ouvia uma missa em altos berros, através da rádio.

“Fine Art Study” – para os leitores estrangeiros.

É uma estrada visivelmente com muito movimento, como dá para perceber 🙂 E esta bola gigante do lado direito é uma jaca! Uma jaca gigante!

Eu nunca tinha visto uma jaca deste tamanho!!

Aqui tivemos uma sessão fotográfica que demorou algum tempo. Efetivamente esta foto era apenas um teste, mas eu mantive-a. É que ambas – a Fátima e a Nija – queriam tirar uma foto comigo (e eu com elas), pelo que era necessário passar a máquina a ambas, e ambas aprenderem a mexer nela. Para facilitar-lhes o trabalho, pus a máquina no modo de “visor” – ou seja, elas estão a ver a foto como se um telemóvel fosse, no visor da máquina. Só precisam de clicar no botão do obturador. Ora a máquina é nova e eu ainda não sabia por esta altura (agora já sei) que é quase preciso comer um bife para ter forças para carregar no obturador quando ela está no modo de “visor”. Eu nunca uso este modo, eu olho sempre pela ocular (encosto o olho à máquina). Portanto eu passei a máquina à vez, a cada uma delas, e nenhuma conseguia tirar a foto. Carregavam no botão e nada acontecia. Então fui eu testar. Ficaram elas junto à bicicleta, e experimentei eu tirar a foto neste modo de visualização no monitor. E percebi que é um bocado difícil, é preciso carregar com força. Expliquei-lhes isto e ambas conseguiram então tirar uma foto comigo, se bem que uma acabasse por ficar mal. Restou esta.
Foi divertido, este episódio. Nenhuma das três desistiu.

Já estou numa altitude razoável, perto das Cascata de São Nicolau, e o tempo faz-se notar. Frio e nevoeiro. Eu estou quente de vir a subir, vou aguentando bem o fresco. Quem nos tirou esta foto foi uma menina chamada Maribel, que vai aparecer mais abaixo com um vestido branco às flores. Perguntei quem é que queria tirar a foto, e uns fugiram, envergonhados. A Maribel ofereceu-se e eu ensinei-a a agarrar na máquina, a olhar pelo óculo, e a carregar no obturador. Eu programei previamente os parâmetros. O primeiro passo é colocar-lhes a correia ao pescoço. Agarrar na máquina é o segundo passo. A máquina pesa 1 kg. Nas mãozinhas das crianças mal habituadas, as fotos ficariam desfocadas de tremerem, eventualmente, com o peso. Ensino-lhes a colocar a máquina em cima da palma da mão esquerda, bem aberta. E com a mão direita agarrar na máquina e colocar o dedo indicador no obturador. A Maribel cumpriu na perfeição as instruções.

Este garoto ao centro oferece-me este maracujá gigante. Eu agradeci-lhe, mas expliquei-lhe que ainda tenho muito para pedalar (são 9h43, nesta foto), e que não me dá jeito andar carregada. Pedi-lhe para não ficar triste, e que foi muito simpático.

De visita ao Museu Almada Negreiros, o pintor e escritor português (1893 – 1970) que nasceu aqui nesta casa, chamada “Roça Saudade”.

As paredes estão decoradas com escritos de Almada Negreiros, inclusive a casa de banho!

A Roça Saudade, além do museu, tem também este restaurante. O Emanuel trabalha aqui e convida-me a vir cá almoçar quando regressar da Cascata. Ficou de olhos fechados e eu nem reparei, devia ter tirado outra foto. O Emanuel explica-me que o menu de  degustação é 15€ ou 375 dobras, com pratos típicos de São Tomé e Príncipe. Em princípio será muito cedo para almoçar, respondo-lhe. São agora 9h46, a Cascata é já aqui ao lado, não estou a ver como vou demorar-me tanto até à hora de almoço. Mas nunca se sabe.

As crianças vendem fruta aos turistas. Mas eu estou na bicicleta, não me dá jeito andar carregada – explico-lhes. Aquelas amoras, sobretudo, são uma tentação. Mas eu posso lá comer fruta assim. (Conforme expliquei em crónicas anteriores, e em viagens anteriores, não se deve comer fruta com casca, e tem de ser lavada com água mineral).

Cascata de São Nicolau à vista!!

São 10h15 e tenho 14 km feitos. Sempre a subir!! Entetanto consegui verificar no Maps.me que foram 600 metros de subida. De longe a maior subida que fiz até agora, na bicicleta, em São Tomé e Príncipe. No Príncipe a maior subida de bicicleta foram 240 metros, no dia em que subi ao Terreiro Velho, a caminho da floresta no Infante Dom Henrique. Depois fiz 947 metros a pé ao Pico do Príncipe. Agora não estava nada à espera destes 600 metros a subir na bicicleta – e grande parte fiz a pé, entenda-se, com a bicicleta pela mão. Ainda bem que fiquei com este destino já despachado. O Célio Santiago, que mo sugeriu, meteu-me logo a pedalar a sério no primeiro dia. Eu ainda nem recuperei bem da caminhada ao Pico do Príncipe, ainda tenho um andar meio esquisito…
Bom, mas aqui estou eu, vitoriosa, às 10h15 da manhã! 🙂