005 – Príncipe – Pequeno-Almoço e Continua o Passeio por Santo António

São 7H30, regresso à Residencial para tomar o pequeno-almoço. Disseram-me que é servido às 7H30. Hoje só existem duas hóspedes: eu e uma rapariga da Roménia, que anda a viajar sozinha também. Troquei umas palavras com ela na véspera, a propósito da janela do meu quarto, que não fechava a parte das persianas. Perguntei-lhe como se fecha a janela do seu quarto, ela veio tentar ajudar-me, sem sucesso. Acabou por ser o gerente do hotel, que apareceu cerca das 19h, que me fechou a janela. Bastava um pouco de força, estas miúdas têm medo de fazer força nas coisas.

Tenho estas escadas chatas para subir e descer a bicicleta, sempre que entro ou saio. Em breve começarei a prendê-la na rua com o cadeado, nestas paragens breves. Tenho uma chave para a porta lá de baixo. Está sempre fechada à chave.

Afinal o pequeno-almoço ainda não está servido. Vou em busca da cozinha e da cozinheira, para ver o andamento das coisas. Eu estou a passear de bicicleta desde as 5 e meia da manhã, duas horas depois estou esgalgada com fome.

Um sumo e fatias de ananás. Começamos bem. Tal como expliquei na crónica 3, eu não posso beber sumos sem saber a sua exata origem. Não podem ter água da torneira. O ananás não pode ser cortado com uma faca molhada com água da torneira. Infelizmente tive que recusar. Como me apetecia comer e beber isto.

À falta de melhor, e surpreendida com a minha recusa, a senhora que vai cozinhar ao hotel (e que acabei por não ficar com o seu nome!) deu-me um ananás para eu própria cortar com uma faca seca. Efetivamente eu não devo ter direito a um ananás inteiro, ao pequeno-almoço, nesta pequena ilha de custos bem controlados, mas com a fome com que estava, desapareceu tudo num instante, antes de chegar o resto do pequeno-almoço.

São 8H30. Finalmente chega o pequeno-almoço (ou a segunda parte dele). Isto é muito tarde. Eu não posso estar às 8H30 todos os dias no hotel. Às 8H30 já eu estarei na outra ponta da ilha, de bicicleta. Irei combinar com o gerente do hotel deixarem-me o pequeno-almoço no quarto, e eu tomo-o às 4 da manhã do dia seguinte.
Os ovos vêm cozidos porque assim o solicitei. Fui questionada sobre como os queria.

Manteiga? Esqueçam lá isso. Não vou ver manteiga nunca. Mas também conservar manteiga sem luz durante metade do dia, com este calor, é capaz de ser complicado. Só mesmo com geradores.

Segunda volta, agora já mais confortável de barriga cheia.

Os santomenses carregam nos “R” ao falar. Nem todos, mas eu diria que a maior parte carrega. Vamos à prrraia. Frrruta.
E aqui escrevem mesmo: “Foto rápida – Tirrou, recebeu”!

Deixo a tradução em inglês para os leitores estrangeiros: “Sold here: wings, gizzards, drumsticks, chickens and eggs, fresh and salted meat”.

Em inglês: “Recording Studio Audio Clips Movie DJ. Animia”

Um carro do PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Preço da gasolina: 26.350 dobras, o que corresponde a 1,05€. Gasóleo 21.750 dobras, ou 0,87€. Devido à inflação, em 2018 a dobra foi redenominada a uma taxa de 1000 para 1, pelo que atualmente diz-se 26,35 dobras e 21,71 dobras. O código da dobra é STD.
São Tomé e Príncipe assinou um acordo com Portugal em 2009, ligando a Dobra ao Euro. A taxa de câmbio foi fixada em 1 EUR = 24.500 STD. Mas nos câmbios do dia-a-dia usa-se sempre 1 EUR = 25 STD.

Este ciclista chama-se Francibel Umbelina. Tem 15 anos e passou para o 9º ano. Cruzou-se comigo na rua, enquanto eu passeava na bicicleta, e ofereceu-se para ir mostrar-me algumas coisas. Foi comigo visitar o cemitério, e a seguir foi mostrar-me a sua escola e também o estádio.

O Francibel queria que eu lhe desse um cantil de água, da bicicleta. Aqui no Príncipe não se vendem, não existem. Mas eu posso lá dar um cantil de água logo no início da viagem. Vão fazer-me muita falta, não posso, expliquei-lhe, e disse-lhe para não ficar aborrecido.
Com o tempo irei perceber que os três cantis de água exercem grande fascínio entre as crianças e adolescentes, e frequentemente vou receber pedidos para lhes dar um. Não percebem para que preciso eu de três cantis de água. Não estão habituados a ver ninguém a viajar de bicicleta um dia inteiro, para precisar de tanta água.

O cemitério está fechado. Hoje é sábado, 10 da manhã, deve fechar aos sábados. Mas o Francibel diz que abre às 14h.

A escola. As férias começaram na semana passada; têm três meses de férias.

O Estádio Regional 13 de Junho pode ser visto no mapa de Santo António da crónica anterior.

Depois do estádio o simpático Francibel disse que tinha de ir para casa, pelo que eu prossegui o meu caminho sozinha.