Dia 11 – Passeio de grupo à nascente do rio Aventino e à aldeia medieval de Pacentro
Hoje é quinta-feira, 13 de novembro de 2025.
Despertar às 7h.
Hoje temos um passeio de grupo ao Parque Nacional da Maiella, na região dos Abruzos, para visitarmos a nascente do rio Aventino, e a aldeia medieval de Pacentro. A Fundação Frenkiel & Ponti oferecer-nos-á um guloso pequeno-almoço, e também o almoço.
A partida será às 10h, pelo que ainda vou pintar uma hora, durante a manhã.


Estes dois estavam a uivar um ao outro, debaixo da minha janela, e eu fui tentar acalmar as hostes.

Os meus cereais de chocolate acabaram.




Voltei ao acrílico e à papa do Nestum – ou do italiano Plasmon, como descrevi no dia 8. Ou se calhar esta é uma papa de espinafres. É muito difícil pintar com isto – mas eu esforço-me porque me apetece pintar. Desalmadamente. Óleo agora é que já não dá mesmo, não secará antes da residência terminar.












Passámos por aqui no nosso último passeio de grupo, vamos repetir uma pequena parte do caminho.


Eu vou sentada à frente, ao lado do Giuseppe, e este diz-me: “Já estás habilitada a solicitar a nacionalidade japonesa”. A afirmação pareceu-me tão insólita que nem me ocorreu mais nada senão perguntar: Porquê? Por tirares tantas fotos – respondeu-me. Eu soltei uma gargalhada.






Sorgenti dell’Aventino, ou, em português, a nascente do Aventino. A água provém do degelo e da precipitação nas montanhas, drenando pelos diversos riachos da área, e juntando-se com outros cursos de água antes de emergir aqui. Nesta zona foram encontrados muitos fósseis de há sete milhões de anos: restos paleobotânicos atestam a presença de salgueiros, ciprestes e outras árvores, além de pequenos mamíferos, incluindo o prolago.¹ O prolago, hoje extinto, estava dentro do grupo que inclui lebres e coelhos.

Há sete milhões de anos este bicho andava aqui a saltitar!

Alguns dos artistas ficaram na nascente, enquanto o Giuseppe, a Karolina e eu, vamos fazer uma parte do percurso pedestre sugerido nesta placa.



De volta à nascente. Fizemos 20 ou 30 minutos de caminhada, e já foi uma grande estafa, subir a montanha.
A água está absolutamente gelada, mas o Lalo mergulhou! Segue um vídeo de 34 segundos, com o mergulho: YouTube.









Teleférico. Estamos a passar em Campo di Giove, uma zona de esqui.




O Giuseppe aponta-nos a montanha mais alta dos Apeninos, à nossa frente: o pico Corno Grande, que atinge 2912 metros de altitude.


São 13h15 e chegámos a Pacentro.

Entrada do restaurante – Taverna de Li Caldora



Focou no vinho e não no prato. São fatias de trufas.





Estou a tirar as fotos demasiado perto dos pratos. E porquê? Porque a menina Rute não quer levantar-se e afastar-se. Mas foram tantos pratos – foi uma procissão tal – que eu teria de levantar-me muitas vezes. E faltou fotografar as batatas assadas. Tudo absolutamente delicioso, claro.




Genciana, um digestivo típico desta região: é um licor tradicional feito a partir da raiz da planta genciana (Gentiana lutea), que cresce sobretudo em regiões montanhosas a partir de cerca de 1300 metros de altitude — como os Apeninos, os Alpes e os Pirenéus. É intensamente amarga. E aquelas fatas de bolo são muito rijas e secas. Sendo um digestivo tão bom (ativa a digestão; reduz a sensação de enfartamento; alivia o estômago), eu bebi-a toda e comi uma das fatias do bolo. É sempre espantosa a quantidade de comida que conseguimos meter dentro da barriga.






A placa diz: Igreja de São Marcello Papa, século XII.




Estava eu a fotografar a igreja de Santa Maria Maggiore, quando o Carmine me chamou e disse para eu tirar a foto do lado direito da igreja, para se ver a torre. Eu fui.


Claro que tive de tirar uma foto com eles: além do Carmine, à esquerda, a Rine, a Luisa, eu e a Pina. Hoje não consigo ficar aqui um bocadinho a falar com eles. Está a anoitecer e quero ir ao castelo antes de partirmos. Despedi-me.

E a Sara também quis tirar uma foto com o grupo. Eles divertiam-se, com estas visitas e com as fotos. Espero que um dia as descubram; não lhes deixei o meu website ou o Facebook, como costumo fazer.


A família paterna de Madonna tem raízes aqui em Pacentro. Os seus avós paternos, Gaetano Ciccone e Michelina Di Iulio, nasceram aqui. Em 1919, Gaetano e Michelina emigraram para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades, e ainda que Madonna tenha nascido e crescido nos EUA — mais precisamente em Bay City, Michigan — esta ligação a Itália manteve-se pública e reconhecida. Há alguns anos, ela veio visitar a aldeia; o presidente da câmara de então quis colocar na praça uma estátua sua, mas o padre opôs-se e o projeto não avançou. Quando Pacentro foi afetado por um sismo, Madonna manifestou solidariedade para com a comunidade local, referindo-se publicamente à terra dos seus antepassados e doou ajuda às vítimas.















Partimos às 17h30, chegámos a Montenero Val Cocchiara às 18h15, com uma rápida paragem de 15 minutos no supermercado.

¹ “Geosito e Sorgenti dell’Aventino” (s.d.) Fondo Ambiente Italia. Página consultada a 8 de dezembro de 2025,
https://fondoambiente.it/luoghi/geosito-e-sorgenti-dell-aventino


