Dia 7 – Dia inteiro de estúdio
Hoje é domingo, 9 de novembro de 2025.
Acordei às 7h30 com o despertador do telemóvel.
Estou impaciente por poder pintar o dia todo.


Hoje nem consigo comer os meus cereais habituais, depois de tanta comida ontem. O meu pequeno-almoço é apenas leite morno com mel e canela. Eu trouxe aquele saquinho de canela, de Portugal. O mel é oferecido pela residência. Porém eu também trouxe um frasquinho pequeno de mel, de Portugal, que, naturalmente, não cheguei a usar. Efetivamente este meu frasquinho de mel já é muito viajado, também foi à América. Agora veio passear a Itália, e vai novamente voltar a Portugal. Eu, o mel e a canela somos inseparáveis, viajamos os três sempre juntos.
Quem me ensinou isto da canela – no leite com mel – foi o meu amigo Jaime, um amigo de longa data, de Lisboa. Passámos uns dias de férias nos Açores, na ilha Terceira, em 2019, e ele disse-me que era bom pôr canela no leite. Depois de eu experimentar, tornou-se parte da minha vida. Há mais de vinte anos que somos amigos, disse-lhe eu, porque é que só me disseste isto agora, em 2019?!







Mostrei esta foto ao resto do pessoal, e disse-lhes que era o “gato Gabriel”. “Cat Gabriel” – disse eu, em inglês. “Gato”, em português, significa um rapaz bonito. É mais usado no Brasil, mas em Portugal também. E eles olharam para a foto, no meu telemóvel, e todos perguntaram pelo gato. O Gabriel tem um gato? Onde está o gato? E todos à procura do gato, na foto.
Até que descobri que em inglês não existe esta expressão.

Este é o estúdio do escritor residente. Tem uma lareira e tudo, que já apareceu na crónica do dia 2.



O pincel pequeno é meu, está muito gasto, é usado para estes trabalhos grosseiros, nomeadamente de mistura de tintas e médiuns.

São 15h34 e aqui é a casa onde a Sara está alojada; a Sara vai servir-nos um chá. Vamos fazer aqui a despedida da Piera, que vai para Nápoles, tem assuntos do seu trabalho para resolver. Amanhã, 2ª feira, chegará o seu pai – da Piera – que vem substituí-la na residência. A Piera não tem a certeza se conseguirá regressar a Montenero no próximo fim de semana, pelo que nos despedimos todos sem ter bem a certeza se nos vamos voltar a ver ou não.





Aos domingos é o único dia em que o jantar não é servido aos artistas residentes, pelo que todos combinámos levar qualquer coisa e reunirmo-nos na mesma, desta vez em casa do Gabriel e do Lalo. O encontro era às 18 horas. E o pessoal afinal cozinhou, não levaram apenas coisas pré-feitas. Eu pintei até às 18h45 e não cozinhei nada. Levei apenas uma embalagem de amêndoas, avelãs e frutos secos. Então lavei a louça no final, como compensação. O pessoal não queria, chamou-me várias vezes para eu regressar à mesa, mas eu lavei a louça com alguma rapidez, e com água quente, não custou nada, sempre contribuí com alguma coisa. Quem vê estas crónicas até pensa que eu não cozinho nada, quando eu sou conhecida pelos meus amigos e família mais chegada, por cozinhar bastante bem, e pratos relativamente trabalhosos e elaborados. Mas aqui eu tenho 14 dias, e tenho mais que fazer do que ocupar tempo na cozinha. Eu quero pintar. Não quero perder nem trinta minutos a cozinhar. É uma questão de gerir prioridades. Todo o ano eu cozinho em minha casa, em Lisboa, não preciso de cozinhar aqui também, como aliás tenho mostrado nas crónicas anteriores, e continuarei a mostrar nas próximas. Além do mais, vou deixar Itália com peso a mais, de certeza, com tanta (deliciosa) comida.


Tudo muito bom, saudável e saboroso. Elogiei o talento culinário dos meus comparsas artistas.


