Dia 1 – A viagem; a casa; e jantar com os novos colegas
A viagem correu bem. Parti 2ª feira, 3 de novembro de 2025, de Lisboa, de manhã, e o voo levou três horas até Nápoles. À chegada eu tinha instruções para apanhar o “Alibus”, um autocarro que faz o transfer entre o aeroporto e o centro de Nápoles. A partir daqui é necessário seguir num autocarro até Castel di Sangro, com duas horas de viagem, onde alguém da residência artística me iria buscar de carro. De Castel di Sangro até Montenero Val Cocchiara, onde fica a residência artística, são dez minutos.
No entanto eu e outros passageiros fomos logo abordados à saída do aeroporto por vários taxistas que fazem o mesmo serviço, pelo mesmo preço do Alibus – 5€. Dado que não estava ali Alibus nenhum, e dado que as outras pessoas aceitaram, eu aceitei também. Vamos todos ser raptados – ainda pensei, mas não, a simpatia dos taxistas (um deles ainda sorriu para a fotografia) e a sua prestabilidade rapidamente me tranquilizaram. Do aeroporto ao centro de Nápoles são outros dez ou quinze minutos.



Nápoles.





Não tenho fotografias do autocarro que me levou de Nápoles até Castel di Sangro, dado que a minha chegada ao terminal de autocarros foi atribulada e nem me lembrei de fotografar nada, carregada com as bagagens, à procura do meu autocarro no meio de vários. Eu tinha um bilhete para as 18h, mas ainda consegui apanhar este das 15. O motorista não gostou, mas lá me deixou entrar. E depois partimos logo, às 14h45. Não percebo nada disto. Se porventura alguém vem apanhar o das 15h, adeus, é bom que chegue um quarto de hora antes. Entre o das 15 e o das 18h não há mais nenhum.
Já perto de Castel di Sangro veio uma senhora sentar-se no meu lugar. Ai, que eu estou aqui intrusa e o motorista ainda me expulsa. Ela disse-me qualquer coisa em italiano, e eu respondi que o meu lugar deve ser outro – respondi em inglês – e então a senhora sentou-se noutro lugar disponível e não disse mais nada.

À chegada a Castel di Sangro, descubro que outras duas artistas residentes vinham no mesmo autocarro que eu, desde Nápoles. À esquerda está a Piera, neta do casal Frenkiel e Ponti, que é ceramista, e veio buscar-nos. Ao centro está Tee Chandler, fotógrafa, de Inglaterra, e à direita Karolina Kossmann, a minha colega pintora, da Alemanha.

A casa onde eu vou ficar alojada. Tem apenas um quarto e ficarei aqui sozinha. Existem outras duas casas maiores, com dois quartos cada, onde ficarão alojados os restantes quatro artistas.






A comida já disponibilizada pela residência artística. No canto direito está um queijo típico desta região. No frigorífico tenho outro queijo e mais alimentos.

A embalagem do presunto estava fechada, eu é que a abri para perceber o que está ali – e o mesmo se passou com as dos queijos e a da manteiga.

Lalo Hernandez, um dos cinco artistas residentes – que é músico, do México.

A Tee e o Lalo.

O Johnny é o marido da Piera e hoje está responsável pelo jantar de boas vindas.


Uma saborosa massa com feijão (“pasta e fagioli”), uma receita tradicional em muitas regiões de Itália – e o Molise, onde estamos, não é exceção. A sobremesa foi fruta, bolachas de chocolate e torrão branco mole, com amêndoas e avelãs. É o “torrone morbido”, como dizem os italianos.

Ficámos com um pão gigante à nossa frente – um pão feito pela Piera!
Aqui estamos todos, chegaram hoje dos respetivos países:
À esquerda, Sara Scheeres, fotojornalista e voluntária que irá coordenar os nossos passeios, as refeições e a residência em geral. Vem de Nápoles.
Depois, Gabriel Sacco, o escritor residente, fez 36 horas de viagem desde Massachusetts, nos EUA.
Lalo Hernandez, que ainda passou uns dias em Istambul e Nápoles antes de vir para Montenero Val Cocchiara. O seu voo do México fez ligação em Istambul e aproveitou para passear um pouco por esta cidade, da qual gostou bastante, disse-nos. O Lalo vive a uma hora da Cidade do México, num bosque entre esta e Cuernavaca.
O Johnny e a Piera, que vivem alternadamente entre Nápoles e Londres; depois a Tee, que vem de Brighton; e a Karolina, que é de Berlim, e trabalha em Leipzig, que fica a uma hora de distância.
Eu estou na ponta direita, venho de Lisboa, nasci em Lisboa e trabalho em Lisboa 🙂 Portoghese, como dizem os italianos.


