Introdução – Frenkiel & Ponti
* In English below *
* In italiano qui sotto *
É possível sermos felizes nos dias que correm, no mundo em que vivemos? Assistir a tudo o que está a acontecer – guerras, ódios, desumanização; a humanidade a destruir o planeta, a maltratar tudo à sua volta para progredir. Com certeza que não. Apenas um bobo da corte pode dizer que é feliz nestas circunstâncias, cego e ignorante a tudo o que se passa à sua volta, e a tudo aquilo a que ele próprio contribui. No entanto é possível ser feliz aqui e ali, ocasionalmente, cinco minutos, um dia, alguns dias com muita sorte. Nestes 14 dias da residência Frenkiel & Ponti, eu posso dizer que vivi momentos de felicidade, integrada num maravilhoso grupo de colegas artistas das mais variadas áreas. Atrevo-me a dizer que esta residência artística não é uma residência artística. É um paraíso artístico – com todas as condições para um trabalho profissional e intenso, num local tranquilo e belíssimo, com uma equipa excecional que aposta seriamente na qualidade de vida e de trabalho dos artistas.
Quem gere esta residência artística é a Fundação Frenkiel & Ponti. Citando o seu website:
“Frenkiel e Ponti eram um duo peculiar que surgiu no pós-guerra nos EUA e em Itália. Conheceram-se na vibrante Costa Amalfitana do início dos anos 1970. Ambos estavam profundamente envolvidos no mundo da música e da arte. Alan Frenkiel era um amante das artes, organizando exposições, escrevendo histórias, e era também o manager e cofundador dos Napoli Centrale, o grupo que deu início à explosão do jazz-rock napolitano nos anos setenta.
Franca Ponti era artista, pintora e artesã, dedicando a sua vida a explorar os territórios e limites da sua arte. Mudaram-se depois para Montenero Val Cocchiara, nas montanhas do Molise, onde acolheram inúmeras figuras ligadas às artes, vivendo “uma vida reclusa cheia de visitantes”.
A Fundação é a continuação dessa vida.”
E sem dúvida que a Fundação – gerida pelos descendentes diretos do casal Frenkiel e Ponti – tem a mestria de perpetuar todo o espírito artístico vivido por estes, preservando igualmente a generosidade herdada. Nesta residência de 14 dias, que ocorreu entre 3 e 16 de novembro de 2025, o alojamento e os estúdios foram oferecidos, juntamente com a alimentação e os materiais de pintura. A residência também providenciou o transporte local, disponibilizou um carro e duas bicicletas elétricas. Éramos duas artistas visuais, uma fotógrafa, um escritor e um músico. Aos restantes artistas também foram disponibilizados equipamentos e estúdios próprios. A residência incluiu dois passeios de carro, com almoço incluído em restaurantes, para conhecermos um pouco da região.
E as gentes do Molise. São gentis, curiosas e hospitaleiras, o que poderá ser comprovado pelas fotos que mostrarei nestas crónicas. Não houve uma única pessoa que não tivesse tido a paciência de esperar que eu montasse a câmara no tripé e a ajustasse às definições adequadas – com o tempo que isso implica, incluindo testes de luz, já que fotografo sempre em modo manual – para nos fotografar a ambas, ou a todos os que estivessem connosco. Fui muito bem recebida na pacata aldeia de Montenero Val Cocchiara, e também nas povoações à volta, inclusive com a participação de alguns habitantes na nossa improvisada exposição final, concebida coletivamente pelos artistas residentes.
Para finalizar esta introdução, e antes de entrarmos nos detalhes das crónicas diárias, é importante eu referir que esta experiência – relatada por mim nestas crónicas – é minha, exclusiva, com certeza muito diferente da dos restantes artistas, com exceção dos momentos que passámos em comum – que efetivamente foram frequentes. Eu fui a única artista residente a andar de bicicleta, por exemplo. Os restantes artistas optaram por fazer caminhadas, com toda a riqueza que esta experiência proporciona igualmente, no ritmo lento do campo. Caberá a cada um dar voz ao que viveu, e estas crónicas são apenas a expressão do que eu vivi.
English
Is it possible to be happy in the times we live in, in the world as it is today? Watching everything that is happening – wars, hatred, dehumanisation; humanity destroying the planet, mistreating everything around it in the name of progress. Of course not. Only a court jester could claim to be happy under such circumstances, blind and ignorant to everything around him, including all that he himself contributes to. Yet it is possible to be happy here and there, occasionally, for five minutes, for a day, for a few days if you are very lucky. During these 14 days of the Frenkiel & Ponti residency, I can say that I experienced moments of happiness, surrounded by a wonderful group of fellow artists from the most diverse fields. I dare say that this art residency is not an art residency. It is an art paradise – offering every condition for professional and intensive work, in a tranquil and beautiful place, with an exceptional team that is genuinely committed to the artists’ quality of life and work.
This art residency is run by the Frenkiel & Ponti Foundation. Quoting its website:
“Frenkiel and Ponti were an odd duo emerging from post war U.S and Italy. They met in the swinging Amalfi Coast of the early 1970s. Both were deeply involved in the music and art scene. Alan Frenkiel was a lover of the arts, curating exhibitions, writing stories, and he was the manager and co-founder of Napoli Centrale, the group that started the Neapolitan jazz-rock explosion in the seventies.
Franca Ponti was an artist, a painter and crafter, spending her life exploring the realms and boundaries of her art. They then moved to Montenero Val Cocchiara in the mountains of Molise where they entertained numerous members of the arts, living “a secluded life full of visitors”.
The Foundation is the continuation of that life.”
And there is no doubt that the Foundation – run by the direct descendants of the Frenkiel and Ponti couple – has the mastery to preserve the entire artistic spirit they embodied, while equally honouring the generosity they passed on. During this 14-day residency, which took place between 3 and 16 November 2025, accommodation and studios were provided, together with meals and painting materials. The residency also arranged local transport and made a car and two electric bicycles available. We were two visual artists, a photographer, a writer and a musician. The other artists were also provided with their own equipment and dedicated studios. The residency included two car trips, with lunch in restaurants, allowing us to get to know the region a little.
And the people of Molise. Kind, curious and hospitable – as will be clear from the photos I will show throughout these chronicles. There was not a single person who lacked the patience to wait while I set up the camera on the tripod and adjusted it to the right settings – which takes time, including light tests, as I always shoot in manual mode – so that it could take a photo of the two of us, or of everyone who happened to be with us. I was warmly welcomed in the quiet village of Montenero Val Cocchiara, as well as in the surrounding villages, with some inhabitants taking part in our improvised final exhibition, conceived collectively by the resident artists.
To conclude this introduction, and before we move into the details of the daily chronicles, it is important to state that this experience – as recounted by me here – is mine alone, certainly very different from that of the other artists, except for the moments we shared in common – which were indeed frequent. I was the only resident artist who travelled by bicycle, for example. The other artists chose to go walking, with all the richness that this experience also offers, at the slow pace of the countryside. It is up to each of us to give voice to what we lived, and these chronicles are merely the expression of what I experienced.
Italiano
È possibile essere felici ai giorni d’oggi, nel mondo in cui viviamo? Guardare tutto ciò che sta accadendo – guerre, odi, disumanizzazione; l’umanità che distrugge il pianeta, che maltratta tutto ciò che la circonda in nome del progresso. Certamente no. Solo un giullare di corte potrebbe dire di essere felice in circostanze simili, cieco e ignorante rispetto a tutto ciò che lo circonda, e a tutto ciò a cui egli stesso contribuisce. Tuttavia, è possibile essere felici qua e là, occasionalmente, per cinque minuti, per un giorno, per alcuni giorni con molta fortuna. In questi 14 giorni di residenza Frenkiel & Ponti, posso dire di aver vissuto momenti di felicità, integrata in uno splendido gruppo di colleghi artisti provenienti dalle più diverse aree. Oso dire che questa residenza artistica non è una residenza artistica. È un paradiso artistico – con tutte le condizioni per un lavoro professionale e intenso, in un luogo tranquillo e bellissimo, con un’équipe eccezionale che investe seriamente nella qualità di vita e di lavoro degli artisti.
Questa residenza artistica è gestita dalla Fondazione Frenkiel & Ponti. Citando il loro sito web:
«Frenkiel e Ponti erano un duo peculiare che emerse nel dopoguerra negli Stati Uniti e in Italia. Si conobbero nella vivace Costiera Amalfitana dei primi anni 1970. Entrambi erano profondamente coinvolti nel mondo della musica e dell’arte. Alan Frenkiel era un amante delle arti, curava mostre, scriveva racconti ed era anche il manager e cofondatore dei Napoli Centrale, il gruppo che diede inizio all’esplosione del jazz-rock napoletano negli anni Settanta.
Franca Ponti era un’artista, pittrice e artigiana, dedicando la sua vita all’esplorazione dei territori e dei confini della propria arte. In seguito si trasferirono a Montenero Val Cocchiara, sulle montagne del Molise, dove accolsero numerose figure legate alle arti, vivendo “una vita appartata piena di visitatori”.
La Fondazione è la continuazione di quella vita.»
E non vi è dubbio che la Fondazione – gestita dai discendenti diretti della coppia Frenkiel e Ponti – abbia la maestria di perpetuare tutto lo spirito artistico che li caratterizzava, preservando allo stesso tempo la generosità che hanno trasmesso. Durante questa residenza di 14 giorni, che si è svolta fra il 3 e il 16 novembre 2025, l’alloggio e gli studi sono stati offerti, insieme ai pasti e ai materiali per la pittura. La residenza ha inoltre fornito il trasporto locale e messo a disposizione un’auto e due biciclette elettriche. Eravamo due artiste visive, una fotografa, uno scrittore e un musicista. Anche agli altri artisti sono stati forniti attrezzatura e studi dedicati. La residenza ha incluso due gite in auto, con pranzo in ristorante, per permetterci di conoscere un po’ la regione.
E la gente di Molise. Gentile, curiosa e ospitale – come sarà evidente dalle fotografie che mostrerò in queste cronache. Non c’è stata una sola persona che non abbia avuto la pazienza di aspettare mentre montavo la macchina fotografica sul treppiede e la regolavo con le impostazioni adeguate – cosa che richiede tempo, inclusi i test di luce, dato che fotografo sempre in modalità manuale – per scattare una foto a noi due, o a tutte le persone che fossero con noi. Sono stata accolta calorosamente nel tranquillo paese di Montenero Val Cocchiara e anche nelle località circostanti, con la partecipazione di alcuni abitanti alla nostra esposizione finale improvvisata, concepita collettivamente dagli artisti residenti.
Per concludere questa introduzione, e prima di entrare nei dettagli delle cronache quotidiane, è importante sottolineare che questa esperienza – da me raccontata in queste pagine – è mia, esclusiva, certamente molto diversa da quella degli altri artisti, eccetto i momenti che abbiamo condiviso – che sono stati effettivamente frequenti. Sono stata l’unica artista residente a spostarmi in bicicletta, per esempio. Gli altri artisti hanno preferito camminare, con tutta la ricchezza che questa esperienza offre ugualmente, nel ritmo lento della campagna. Sta a ciascuno dare voce a ciò che ha vissuto, e queste cronache sono semplicemente l’espressione di ciò che io ho vissuto.


O Molise é uma das 20 regiões de Itália. Está dividido em duas províncias: Isérnia e Campobasso. A aldeia de Montenero Val Cocchiara faz parte da província de Isérnia.


