6º dia – Manhã de estúdio / de bicicleta até ao mercado agrícola 

Hoje é terça-feira, 14 de abril de 2026.
Foi o Toni, anteontem, quem me indicou o caminho para o mercado. Fica a 2,8 km de distância e vou de bicicleta. E após o mercado irei repetir a volta ao redor do parque onde estou alojada – tive que interrompê-la no terceiro dia porque estava tudo negro e parecia que ia chover torrencialmente. Hoje irei conhecer tudo com mais calma.

Dormi cerca de dez horas, após tomar o primeiro comprimido da minha vida, para dormir. O jet lag, nestas viagens, é extremamente incómodo – para dizer as coisas de forma suave – e este ano, pela primeira vez, decidi experimentar tomar um comprimido para dormir. Tinham-me dito que mal se toma o comprimido, a pessoa “apaga”, pelo que tomei-o já deitada. Se adormecer de repente, pelo menos já estou deitada. Tomei-o às 20h50 (ou seja, às 2 da tarde de Portugal – quem é que consegue dormir 7 ou 8 horas às duas da tarde, valha-me deus?!…) porém ainda levei algum tempo até finalmente adormecer, e eu já estava a pensar que o comprimido não fazia efeito comigo. Eu à espera. “Então, nunca mais adormeço?…” Dormi cerca de sete horas, acordei às 4 e meia da manhã, e voltei a dormir – até às 8 da manhã. Hoje nem servi pequeno-almoço, só bebi um pacote da bebida de amendoim, e água.
Será que é desta que acerto os sonos?…

Abro a porta do meu quarto no hotel, é isto que vejo. Eu estou ainda atordoada, com o comprimido. Vejo estes gnomos e toda esta vegetação. Acordei num mundo mágico.

Já no estúdio. Ainda não comentei que há pássaros a viver no teto, escondidos. Piam e largam penas para cima das minhas pinturas.

Hoje é a despedida do Emiliano: vai-se embora agora depois de almoço para o aeroporto. Regressa a Nápoles, Itália.

É a única bicicleta disponível, e será minha.

Eu trouxe de Portugal um suporte para o telemóvel. Comprei-o na internet há mais de um ano, mas estou a estreá-lo agora. Curiosamente foi da China para Portugal, e agora regressou à sua pátria. Mas nem reparei que esta bicicleta tem um suporte no centro do volante. Nem todas têm – estas são os modelos mais novos, com suporte.

Eu, por esta altura, ainda vou no passeio. Também se pode ir de bicicleta pelo passeio, mas o caminho mais confortável, sem constantes descidas e subidas quando o passeio começa e acaba, é ali pela estrada, na berma, ao lado. Mas eu ainda estou meio desconfiada, prefiro ir aqui pelo passeio.

São 13h47 e cheguei ao mercado agrícola Wangjin. Levei 33 minutos e paguei 3,5 yuans (estou a usar o câmbio de 0,12€, o que faz corresponder a 0,42€). E mais 2 cêntimos pela taxa de processamento internacional e taxa de conversão que o meu banco cobra.
A viagem faz-se em 15 minutos, talvez, mas eu parei três mil vezes para ver as coisas e tirar fotografias.

Há tempos atrás comi num restaurante em Lisboa, no Parque das Nações, que serve “carne maturada”. Bifes maturados a 35 dias, anunciavam eles. Estes são restaurantes mais caros por causa disso. “Carne maturada” significa que a carne foi deixada a envelhecer, de forma a ficar com o sabor mais intenso e concentrado. Apercebo-me que os chineses comem naturalmente carne maturada, e não pagam mais por isso.

Paguei 8 yuans por este ananás (0,96€). Paguei em dinheiro, mas todos os vendedores no mercado têm um QR Code disponível, para se pagar através da aplicação “Alipay”.

Comprei aqui alguns pequenos doces, embalados individualmente (do tamanho de rebuçados). Ficou em 2,5 yuans (0,30€).

E aquelas bananas na balança – desta simpática vendedora – ficaram-me em 9 yuans (1,08€).

Ia eu desbloquear novamente a bicicleta que aqui me trouxe, quando este rapaz me interrompeu e tirou-ma. Disse que eu tinha que reservar outra. As outras são mais velhas, não são tão boas como esta. Mas pronto, tirei-lhe uma fotografia de despedida (é ela que vai no ar) e tive que escolher outra.

As bicicletas e as motocicletas elétricas obedecem ao semáforo dos peões, a não ser que exista um semáforo específico para elas. Nunca obedecem aos semáforos dos automóveis – o trânsito é separado.

A verdade é que estou cheia de calor. Eu estou com a roupa da manhã, quando faziam 16 °C / 60,8 °F. Agora, na meteorologia, no meu telemóvel, diz que estão 26 °C / 78,8 °F.

Este senhor tem o meu telemóvel na mão – está a ler o que eu lhe escrevi, em chinês. Ou melhor, eu ditei em português ao telemóvel, e este traduziu para chinês. Estou a explicar-lhe que sou portuguesa e estou cá a passar um mês. Ele estava a cultivar a terra e veio ter comigo, depois de eu parar e cumprimentá-lo. Saudei-o com o “nihao” – “olá” em chinês – que tantas vezes usei em Yunnan e em Pequim, há 9 anos atrás.

Ofereceu-me amendoins, com casca, que eu coloquei num dos bolsos laterais da minha bolsa à cintura. Queria dar-me mais, mas eu recusei porque não quero andar com os bolsos cheios. Ainda tentei saber o seu nome, mas creio que ele não sabe ler e escrever, ou então já não vê bem.

Hoje janto na companhia do Porshz, apenas. A Joanna avisou que não vinha jantar (temos um grupo no WeChat, constituído por dezoito pessoas, as cozinheiras inclusive, para avisarmos quando não vamos comer na residência); o Emiliano foi-se embora; e o Laurent está quase: ontem acabou por ser o seu último jantar connosco, pois o Laurent estava à pressa a acabar as suas peças em porcelana, antes de regressar ao Canadá, e já não conseguiu almoçar hoje connosco; adicionalmente avisou que não viria jantar também.

Estas bolinhas, chamadas Tangyuan, são deliciosas: são bolinhas de arroz glutinoso servidas em água quente. O interior, se bem percebi, é uma pasta de sésamo preto, doce. Comi muitas. O Porshz não aprecia, pelo que eu fiquei com todas.

Ao sexto dia consultei o meu saldo de internet, no telemóvel. O cartão que eu comprei no aeroporto tinha 50 GB apenas. Não há internet ilimitada, na China. No entanto eu ainda tenho 49,6 GB. Tenho andado sempre com wi-fi. Dados desligados e todas as aplicações com instruções para fazer download só com wi-fi. Mas sempre que estou na bicicleta, fora do parque, tenho os dados ligados.

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