7º dia – Estúdios de artistas com visita oficial / mudança de estúdio
Hoje é 4ª feira, 15 de abril de 2026.
Desta vez adormeci à meia-noite (5 da tarde em Portugal), e dormi uma sesta até às 7 da tarde. Mas aqui em Chengdu são 2h30 da manhã. Nunca mais volto a tomar um comprimido para dormir, para ajustar o jet lag – porque não ajusta nada. O ritmo circadiano não se ajusta desta forma, descobri. Mas de qualquer forma foi bom ter feito a experiência. Descobri que tem que ser com tempo e descontração. Este “ritmo circadiano” é um sistema interno que organiza dezenas de funções do organismo ao longo de aproximadamente 24 horas: sono e vigília; libertação de hormonas; temperatura corporal; fome e digestão; pressão arterial; desempenho cognitivo; níveis de energia. Pelo menos não posso queixar-me dos níveis de energia – não me têm faltado: sejam 7 da tarde ou 2h30 da manhã eu estou sempre cheia de energia, portanto mais vale não me preocupar com os sonos. Tive então uma conversa séria com o meu organismo: “Minha amiga” (suponho que o meu organismo seja feminino, apesar de terem inventado um nome masculino para ela), “Quando quiseres dormir, dormes. Se não quiseres dormir, não dormes. Faz o que quiseres e não me chateies. E não voltamos a falar sobre este assunto.”
Estive entretida ouvir um audiolivro sobre a nossa capacidade de decisão no final de vida, e de saber tomar decisões antecipadas. Um audiolivro da nova biblioteca portuguesa, financiada pela União Europeia: a BiblioLED. Agora descobri os audiolivros e não quero outra coisa. Não há nada melhor para adormecer, do que contarem-nos uma história. Esta tática aplicada às crianças, afinal resulta com os adultos também.
Deixo a nota de que a BiblioLED também deixou de funcionar aqui na China, uns dias depois, e ainda troquei alguns emails com o serviço de suporte, questionando-os sobre o mau funcionamento da biblioteca no estrangeiro. Não trouxe o meu eBook comigo porque confiei na BiblioLED e nos audiolivros que faço download para o smartphone, e ouço com auriculares. Depois começou a funcionar aos solavancos, eu tinha que reiniciar constantemente para o livro retomar a leitura, até que deixou completamente de funcionar. O serviço de suporte, quando eu os informei de que estava na China, nunca mais me responderam.
Claro que os Velhos do Restelo vão já argumentar que não há nada melhor do que um livrinho em papel.
Passei muito tempo a estudar o “Centro de Investigação e Reprodução do Panda-Gigante de Chengdu” (o nome oficial em inglês é “𝘊𝘩𝘦𝘯𝘨𝘥𝘶 𝘙𝘦𝘴𝘦𝘢𝘳𝘤𝘩 𝘉𝘢𝘴𝘦 𝘰𝘧 𝘎𝘪𝘢𝘯𝘵 𝘗𝘢𝘯𝘥𝘢 𝘉𝘳𝘦𝘦𝘥𝘪𝘯𝘨”) e percebi que existem muitas coisas para nos inteirarmos. Vou deixar estas questões para a crónica de amanhã, pois será amanhã que irei visitar este centro.
Durante este tempo, as melgas viram a luz do meu quarto, pela frincha da porta, e uma entrou. Já fui picada e matei-a. Este ambiente quente e húmido é o ideal para elas. Eu trouxe dois frascos de spray repelente para o corpo.

São agora 5h41. E eu esqueci-me de um prato para o ananás. Como é que vais comer o ananás, Rute? À dentada? E o quarto fica todo sujo? Esqueceste-te de um prato, Rute!!
Ainda não é hoje que como um ananás ao pequeno-almoço, portanto. Os talheres eu trouxe de Portugal; trago sempre uma faca, um garfo e uma colher. Mas o prato tenho que pedi-lo emprestado no restaurante.

São 7 e meia da manhã, ainda está escuro.
Hoje, para já, temos uma visita oficial de membros do Governo, entre as 9 e as 10h da manhã, e os artistas foram convidados a estar nos seus estúdios, para serem visitados pelas duas comitivas que aí vêm.


Este será o meu futuro apartamento-estúdio. O Emiliano foi-se embora ontem, hoje o estúdio será limpo, e depois de almoço mudar-me-ei para aqui.





Às 8 da manhã abre o meu atual estúdio. O Liu Zhongfang surpreende-se com a minha espera (porque eu lhe fiz uma espera…). Quero ir pintar!! Estou acordada há sei lá quanto tempo e quero ir pintar!
Vim a saber que o Porshz e a Joanna estiveram nos estúdios a trabalhar durante a noite. Eu faria o mesmo se tivesse acesso. Em breve dormirei mesmo dentro do estúdio, pelo que poderei trabalhar às horas que quiser. Mas – deixo a nota – de que os meus sonos irão regularizar-se a partir de agora, e estas vigílias noturnas terminam agora.

É encantador ver as minhas pinturas cheias de folhas dos passarinhos. O estúdio está cheio de folhas espalhadas pelo chão, e pela mesa.
A funcionária desta galeria – Zou Huiming – que irá aparecer nas fotos seguintes, apressou-se a tirar-me as folhinhas de cima das pinturas, enquanto eu as fotografava. Então mas eu quero apanhar as folhas! Efetivamente estou mais interessada nas folhas dos passarinhos, do que nas pinturas, a verdade seja dita!

Devem ter feito uma rave party, esta noite, os passarinhos, com tamanha quantidade de folhas em cima da mesa.



A partir do fundo:
O Porshz;
A Mia em pé a acenar;
Um artista chinês, chamado Libo, que esta manhã se junta a nós, neste estúdio, para receber as comitivas;
A funcionária da galeria – Zou;
E eu.
A máquina fotográfica a está a focar debaixo da mesa, em vez de em nós, mas claro que mantive a foto.

A Zou serviu um chá aos artistas.

Esta e as próximas quatro fotos obtive-as de terceiros, não foram tiradas com a minha câmera.










A Zou também me leva os lenços de papel sujos de tinta, onde eu limpo as mãos, e o que quer que seja que precise de ser limpo. Pensa que é lixo, e arruma tudo. Resultado: a Mia tocou numa pintura, precisou de limpar os dedos e não há lenços nenhuns, porque a Zou mos leva todos. Rimo-nos, e a Mia foi então buscar-me uma porção de lenços de papel, para eu ter em cima da mesa.

O Liu e a Zou, os dois funcionários desta galeria. Saindo por aquela porta, temos acesso a uma casa de chá (que eu mostrei na crónica 2) e à galeria de arte Tianyi. São estes dois funcionários que tomam conta de toda esta área.

Visitantes do parque.

Até à hora de almoço continuei a pintar os vermelhos e laranjas, e ainda surgiu uma pintura nova.

Hoje o nosso almoço será aqui. Parece que o nosso restaurante habitual está ocupado. Cada uma daquelas portas tem uma mesa redonda, dentro, numa salinha muito pequena onde só cabe essa mesa. São salas privadas.

Não tenho onde pousar a câmera fotográfica para tirar uma selfie a nós três, pelo que optei por tirar eu própria a foto à Joanna e ao Porshz.



O meu novo estúdio fica à direita, depois desta porta.










Até o vidro da casa de banho está pintado. É mesmo um estúdio de pintores…





Esta casa, em frente ao meu estúdio, é onde fica o estúdio do Toni, que visitei no 4º dia.

Jantámos novamente no mesmo restaurante do almoço, e eu, não tendo onde pousar a câmera, acabei por não tirar uma foto ao grupo. Mas jantámos os três: além de mim, o Porshz e a Joanna.


