036 – 13º Dia, Monte Café & a Caminho da Cascata de São Nicolau

Despertador às 4. Chove muito. Como as janelas não têm vidro – é só a rede anti-mosquitos e as tiras de madeira – os cortinados esvoaçam dentro do quarto. Além de tapada com a colcha que desencantei no guarda-fato, ainda dormi com uma camisola de manga comprida por cima da tshirt.

As portas e janelas da mansão estão todas abertas. E rapidamente descobri que afinal não é chuva, é vento nas árvores. Na cozinha, de janelas e portas abertas, com o vento a abanar as árvores e fazer voar os guardanapos, cozinho o meu primeiro pequeno-almoço noturno na ilha de São Tomé: hoje quero dois ovos mexidos.

4h30. O meu banquete matinal – noturno – está pronto. Posso servir-me do que quiser. Não me fiz rogada.

Às 5 aparecem os primeiros raios de luz, e muitos pássaros. Nomeadamente aquele muito estranho que faz estalidos a bater as asas.
Às 5h45 estou despachada e ponho o equipamento todo no quintal. A bicicleta pernoita sempre comigo no quarto. Existe uma bicicleta aqui no resort, e se eu não tivesse trazido a minha, essa servir-me-ia. É bastante boa, consideravelmente mais leve do que a minha. Mas é de homem, e grande. Para mim seria complicado. E essa bicicleta pernoita no alpendre da mansão, ao lado do meu quarto. O Célio diz-me que também posso deixar a minha no alpendre, que não preciso de levá-la para o quarto, mas está bem, está. Com tudo aberto, toda a gente tem acesso ao quintal, não há portas fechadas, vou lá deixar a minha bicicleta assim. Nem é pelo valor da bicicleta, que efetivamente está longe de ser das melhores, é mesmo pela falta que ela me faz aqui em São Tomé e Príncipe.

E qual é hoje o destino? O primeiro destino na ilha de São Tomé?
Foi-me sugerido na véspera pelo Célio Santiago: Cascata de São Nicolau. É um sítio bonito para visitar, disse-me ontem. E devo aproveitar enquanto não há chuva. Nesta zona da Cascata chove mais do que nas imediações próximas, diz-me.
E aproveitando estar na zona, devo visitar também a Roça Monte Café (fica no caminho), o Jardim Botânico e a Lagoa Amélia. Mas o Célio diz-me que não vou conseguir fazer as quatro coisas num dia.
Ok, vou então conhecer a Cascata de São Nicolau e logo vejo o que farei mais.

Curiosamente nesta imagem, a aplicação Maps.me não mostra o gráfico da altitude. Diz que são 8,8 km mas não diz a altitude.

Deixo a tradução em inglês para os leitores estrangeiros: “Sold here: fuels and lubricants”.

Há poucas bombas de gasolina na ilha, virei a descobrir. A maior parte dos abastecimentos de combustível é feita assim. No Príncipe nunca vi isto. Havia uma bomba em Santo António, e nunca vi vender combustível em quitandas. (Recordo o significado de “quitanda”: uma pequena loja ou barraca de negócio).

Isto é sempre a subir, constato. Como a aplicação Maps.me não mostra o gráfico da altitude para este destino, efetivamente eu não sei o que me espera. Mas ainda não parei de subir.

Também não há autocarros ou transportes públicos na ilha de São Tomé. À semelhança do Príncipe, o transporte é feito em carrinhas e carros privados. As pessoas pagam diretamente ao motorista.

São 6h47, nesta foto. Eu já estou corada com tanta subida. Há uma hora que estou a subir. Há mais subida para a Cascata? – perguntei eu a estas senhoras. “Ui!… Falta muita subida!…” Estou tramada. Isto do Maps.me não indicar o gráfico de altitude em certos destinos deve ser para não assustar os ciclistas. Relembro que a minha bicicleta é de mato, como dizem os santomenses, e está com 17 kg de peso. Não é feita para subidas em alcatrão. Nas partes mais íngremes vou a pé inclusivamente.

A Zizi com os filhos; e os gémeos à frente chamam-se Elisa e Eliseu. Foi a Zizi a fotógrafa da foto anterior. Aqui quis ficar ela sozinha com os filhos. O rapaz de chapéu está muito envergonhado, e ela teve de chamá-lo.

Ao centro a árvore-do-pão carregada de fruta-pão, a qual apresentei na crónica 13.

Eu tive que baixar-me aqui para arranjar a fivela da sandália. “Branca!” – chamaram-me eles (aquelas pessoas que vão ali mais à frente) “Aí na curva é perigoso!” – disseram-me. Pois têm toda a razão, parar numa curva para arranjar a sandália não foi boa ideia. Prossegui caminho rapidamente.

Cá está a roça Monte Café. Primeira paragem. Fiz adeus àquelas pessoas que iam a subir a pé, e elas acenaram de volta e continuaram a subir.
A rapariga de saia azul está à espera de transporte, aqui é uma paragem.

Papaias ou mamões. Pelo que percebo é a mesma coisa.

Uma garrafa de água de litro e meio, 40 dobras (1,60€). Caro, portanto. Recordo que no Príncipe comprei uma no Picão por 25 dobras. E no Príncipe é que costumava ser tudo ao dobro. Esta roça é turística, isto é preço de turista. Mas são 7h38, eu venho a subir na bicicleta há quase duas horas, bebi muito pelo caminho e preciso já de reabastecer. Nem sei onde existirão mais locais onde se venda. Sujeito-me a este preço, portanto.

Café a secar.

Os grãos do café a secarem.

Este rapaz faz demonstrações aos turistas sobre como se trata o café. Mas eu estou sozinha, sem guia turístico, sem pagamento acordado, pelo que a vontade de mostrar o procedimento visivelmente não é muita. Eu deixei-o em paz. Já conheço o procedimento de outras viagens.

Aqui já é cacau.

O rapaz a mostrar-me um grão de cacau.

Deixei a bicicleta aqui presa, com o cadeado, e fui visitar a loja de recordações, bem como o Museu do Café.