Gronelândia – Círculo Polar Ártico

01 - Introdução

Esta viagem tem a duração de 14 dias e realizou-se em Maio de 2015. Foi a viagem mais cara que fiz até agora, proporcionalmente aos dias. Nem consegui ir sozinha, tive de ir integrada num grupo, já que alugar um navio inteiro só para mim era capaz de ser complicado.
Na Gronelândia andei de navio, camiões e outros pequenos barcos. Em Copenhaga aluguei uma bicicleta no hotel, e andei em comboios e autocarros para os destinos fora da cidade.

O programa com o grupo – sobretudo dinamarqueses, um casal de noruegueses, uma rapariga chinesa e mais um amigo português; éramos 11 ao todo – iniciava numa quarta-feira, pelo que eu aproveitei e passei quatro dias em Copenhaga (quatro dias extra) desde sábado. Aqui em Copenhaga estive sozinha, não integrada no futuro grupo da Gronelândia.
A viagem foi das mais caras porque o nível de vida na Dinamarca é altíssimo. A Gronelândia é uma região autónoma da Dinamarca. Posso dar-vos um exemplo já em Copenhaga: comer um hambúrguer no pão, com batatas fritas dentro dum pacote de papel, custa 35€. E o estabelecimento está empanturrado, cheio de dinamarqueses. É peanuts para eles. Mais baratinho do que isto só comida chinesa, massa com frango vendida em carrinhos ambulantes na rua.

É uma viagem lindíssima, com paisagens duma beleza rara. Uma viagem fria, claro. Em Maio já o gelo está a derreter, pelo que não apanhei temperaturas extremas. Mas para uma portuguesa habituada ao sol e ao calor, o frio da Gronelândia exigiu muita roupa. E consequente dificuldade de movimentos 🙂

02 – Copenhaga

Nos cinco dias que passei em Copenhaga (ou três completos porque o primeiro e o último foram só viagens de avião) tirei 34 fotos, metade delas com o smartphone. Não porque não seja uma cidade lindíssima, mas porque é fácil encontrar fotos de Copenhaga na internet. Também estive em Londres nove dias e aí ainda foi pior: tirei vinte fotos. São destinos muito batidos, facilmente se vêem excelentes imagens na internet. Também sabe bem passear numa cidade sem máquinas fotográficas, sem preocupações de luz e focagem…

Levei a papinha feita de casa, e sabia exatamente o que visitar. Dentro da cidade andei de bicicleta – alugada no hotel – mas fui algumas vezes para destinos mais longínquos, de comboio e autocarro. Comprei o “Copenhagen Card” válido por 72h, o qual dá acesso a uma série de museus, monumentos e atrações, bem como viagens de comboio e autocarro. O cartão é caro, mas vale a pena.

A moeda na Dinamarca (e na Gronelândia) é a coroa dinamarquesa.

Nyhavn (em português: Porto Novo), um dos locais mais centrais e turísticos de Copenhaga. O meu hotel fica a cerca de trezentos metros daqui. É importante ter um hotel no centro, facilita tremendamente as deslocações e os acessos a pé à noite.

Ando agora a fazer uma viagem no autocarro de dois andares “Hop on Hop off”. Fico com um panorama geral e uma noção das distâncias; terminada a viagem poderei então partir de bicicleta para desbravar o resto.
Aqui – numa das paragens do “Hop on Hop off” – está a Pequena Sereia, um personagem dum conto infantil do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.

Comprei o bilhete ainda em Lisboa, para visitar a sala de concertos “DR Koncerthuset”, ou em inglês: Copenhagen Concert Hall, uma das salas de concertos da cidade.

Esta sala de concertos fica um pouco afastada do centro e aproveitei o “Hop on Hop off” para levar-me até ao mais perto possível. Ainda andei perdida, numas estradas enormes com várias faixas, no meio do nada, até que lá cheguei.

Infelizmente não está nenhum concerto em cena nestes dias que aqui estou, pelo que limitei-me a uma visita do interior.

De regresso ao centro no “Hop on Hop off”, o autocarro de dois andares, e despedi-me deste. A partir de agora é de bicicleta.

A primeira fábrica de cerveja da Carlsberg, uma marca dinamarquesa. Gostei da visita à fábrica, recomendo.
Já ando de mapa na mão a estudar as ruas e os caminhos, na bicicleta.

Foto tirada do topo da “Vor Frelsers Kirke tarn” (Igreja do Nosso Salvador) já no bairro de Christianshavn. Aqui perto há um espaço alternativo chamado “Freetown Christiania”, um bairro semi-legal com uma comunidade independente instalada numa área de quartéis militares abandonados. É um local onde se fazem eventos culturais, e o odor a marijuana é evidente. Muitos hippies e barracas com artesanato à venda. É proibido tirar fotos lá dentro.

Agora um passeio de barco pelos canais de Copenhaga. Está incluído no “Copenhagen Card”.

“Assistẹns Kirkegard”, ou Cemitério Assistens. (Claro que eu tinha de visitá-lo). Fui de bicicleta, logo à primeira hora da manhã, com o mapa no bolso para me ir orientando. Reza assim a Wikipedia:

“Criado há mais de 250 anos, é um cemitério de valor cultural histórico da capital dinamarquesa. Personalidades de destaque da Europa estão aqui sepultadas. O cemitério foi criado em 1760 em frente ao portão norte, fora dos muros da cidade, porque os cemitérios das igrejas estavam cheios. Para as pessoas mais pobres os espaços para sepultamento dentro da cidade eram de custo exorbitante. Foram então criados os denominados cemitérios de assistência (da sua denominação em francês “assistance”, significando ajuda, auxílio). Existem na Dinamarca mais duma dezena de locais com esta denominação.
A partir do final do século XVIII começaram a ser sepultadas aqui personalidades das classes altas, na sequência dum pedido em 1785 dum influente cidadão, escritor, astrónomo e primeiro-secretário da Chancelaria de Guerra, Johan Augustin, que fez um pedido específico para ser enterrado no cemitério Assistenz, sendo logo seguido por outras figuras importantes da elite.
Em 1800 o cemitério tornou-se um local de piqueniques. Em 1813 foi proibido aos coveiros vender bebidas alcoólicas aos visitantes.”¹

A campa do filósofo dinamarquês Kierkegaard. A bicicleta branquinha com um cestinho é mesmo a minha. (Estavam a imaginar-me numa bicicleta de montanha, como é hábito?… São as bicicletas que o hotel fornece e nem discuti. Venha daí uma bicicleta branquinha com um cestinho). E anda-se de bicicleta dentro do cemitério, eu não era a única.

À noite tive um espetáculo de bailado no Royal Danish Theatre. Comprei o bilhete ainda em Lisboa para garantir lugar. Muito bom, uma peça chamada “Take Four”.
Também fui de bicicleta, mesmo sendo à noite. Mas o teatro é no centro, não há problema. Pode ser visto um extrato do bailado no site do Teatro (cujo nome em dinamarquês é “Det Kongelige Teater”): https://video.kglteater.dk/take-four

Repare-se que passei do cemitério de manhã, para o bailado à noite. Não tirei fotos pelo meio. Visitei muitas coisas nestes três dias completos:

  • O Jardim Zoológico (achei fraco, se calhar a grande atração é o urso polar, e esse andava para trás e para a frente em cima das pedras num comportamento obsessivo. Faz-me sempre confusão ver os animais presos, por mais que digam que os zoos servem para preservar espécies. Visito-os para ver em que condições os mantêm. O de Lisboa é muito melhor do que este de Copenhaga, tem os animais em melhores condições);
  • Amalienborgmuseet (Palácio de Amalienborg);
  • Danmarks Tekniske Museum (Museu Dinamarquês de Ciência e Tecnologia);
  • Den Blå Planet (o “Blue Planet” – um aquário que é o maior do norte da Europa. Fui de comboio. Mas o nosso de Lisboa também é melhor);
  • Rosenborg Slot (ou Castelo de Rosenborg, bem no centro de Copenhaga, com uma multidão a visitá-lo, e onde se podem ver as jóias da Coroa expostas)
  • Rundetaarn (ou Torre Redonda – um observatório do século XVII, o mais antigo ainda a funcionar na Europa).
  • Tivoli (uma espécie de Feira Popular, e onde andei na montanha russa, para matar saudades da Feira Popular de Lisboa).

E tinha mais coisas na lista, mas não consegui, nomeadamente o “Frilandsmuseet”, ou em português: “Museu ao Ar Livre”, um dos maiores e mais antigos museus ao ar livre do mundo. Ou a “Tadre Mølle”, o último moinho de água ainda em funcionamento numa vila típica chamada Elverdamsdalen, fundado no século XIV. E muitos outros museus.
Tenho que voltar a Copenhaga para visitar o que faltou.

Hoje fui de bicicleta até à estação de comboios, onde a deixei no meio de outras centenas delas, com um cadeado que o próprio hotel forneceu. São tantas bicicletas, não hão-de roubar a minha branquinha com um cestinho.
O meu destino hoje é Elsinore onde vou visitar uma série de atrações:

  • O magnífico Kronborg Slot, ou Castelo de Kronborg, onde se desenrola o Hamlet, de Shakespeare;
  • M/S Museet for Søfart (Museu Marítimo);
  • Øresundsakvariet (e aproveitei para visitar este pequeno “Aquário de Oresund”, um aquário de água salgada que faz parte da Universidade de Copenhaga).

O meu “Copenhagen Card” é válido por três dias e aproveitei-o ao máximo. Tudo incluído, desde o “Hop On Hop Off”, às viagens de comboio.

Cá está uma sandes que nunca mais esquecerei. Acho que foi a melhor sandes da minha vida. Quente, com a manteiga derretida, queijo, presunto, rúcula e umas ervinhas mágicas. Perto do Castelo de Kronborg.

“Færgen Frederiksborg”, ou Castelo de Frederiksborg. Fui de comboio e depois autocarro, dado que é longe do centro de Copenhaga. Este castelo tem um lago e um barquinho, no qual andei, e fui desembarcar nas bombocas da última foto, em Rosenhaven.

Planeei todos os autocarros e comboios num site dinamarquês, muito bom:
www.rejseplanen.dk
(Podem alterar a língua para inglês).
Veja-se o exemplo de ir do centro:
Nyhavn até ao Castelo de Kronborg (Kronborg Slot). Indica que leva 1,20h e sugere que apanhe o metro M2 até Nørreport, e então apanhe o comboio Re 2047 até Helsingør.

Quando chegar à estação de comboios, logo vejo onde está o Re 2047. Há-de estar algures. Posso mostrar o papel com isto escrito – Re 2017 kronborg Slot, e toda a gente me diz logo. (Por esta altura, em 2015, data desta viagem, mal sabia eu que dois anos depois iria andar de bicicleta na China, com tudo em chinês, e a mostrar sms em chinês, no meu telemóvel, com os nomes das terras para onde devo pedalar. Sem ninguém falar inglês. Andar em Copenhaga é uma brincadeira de crianças ao pé da China).

Este planeamento convém ser feito em Portugal. Em Copenhaga, para aproveitar os dias ao máximo, não há tempo para planeamentos e estudos. Convém ir tudo estudado de Lisboa. É só acordar de manhã, tomar o pequeno almoço e sair. Depois logo se vê quantas coisas se conseguem visitar. Se houver tempo para mais alguma, também é preciso ter as atrações divididas por bairros. Se tenho um castelo aqui ao pé, por exemplo, é esse que vou visitar, havendo tempo. Este estudo e planeamento é demorado, pode levar muitas horas efetivamente, mas é compensador e jamais esquecerei estes cinco dias fantásticos em Copenhaga. Correu tudo maravilhosamente bem.


¹ “Cemitério Assistens” (s.d.). Wikipedia. Página consultada a 10 Março 2019,
<https://en.wikipedia.org/wiki/Assistens_Cemetery_(Copenhagen)>

03 - Gronelândia, chegada e excursão em Kangerlussuaq

Agora é que vai começar a aventura, apesar de Copenhaga já ter sido uma verdadeira emoção. Nos três dias completos em Copenhaga (cinco ao todo, contando com os dias da chegada e partida), apanhei uma bela estafa. Agora na Gronelândia vai ser mais descansadinho.

Já estou integrada no pequeno grupo de dinamarqueses, sobretudo. A viagem é organizada por uma agência de viagens gronelandesa. Esta noite pernoito aqui, e amanhã apanho outro avião para a cidade de Nuuk.

Supermercado em Kangerlussuaq. Começa a saga das palavras muito grandes e muito difíceis. Já vão ver. Esta é das mais fáceis.

Excursão pelo espantoso (ou será “espantosa”?) Kangerlussuaq. E vai ser já o primeiro impacto, pois vou ter o primeiro contacto com o Manto de Gelo (“Ice Sheet”) que cobre 80% da Gronelândia e tem 40 vezes o tamanho da Dinamarca. Efetivamente não é difícil encontrá-lo, com tal tamanho, mas o primeiro impacto deixa sempre marcas. Um Manto de Gelo é uma massa de gelo glaciar que cobre mais de 50 000 km² dum terreno. Existem apenas dois mantos de gelo: este na Gronelândia, e outro na Antártida. Não confundir com “calota polar” (“Ice Cap”) cujas dimensões são inferiores a 50 000 km². Este Manto de Gelo da Gronelândia atinge uma grossura de 3 km.

Uma rena! É uma das renas do Pai Natal! Está de férias agora!
Aqui na Gronelândia, e especificamente nesta zona, também existe o Boi-Almiscarado (em inglês “Musk Ox”), que infelizmente não vi nenhum. É um boi habituado a temperaturas extremas, muito felpudo, e que pode ser visto neste vídeo de 4’42 minutos da National Geographic.
Na Gronelândia também existem focas, morsas, baleias e ursos polares, entre outros animais. A lista completa, com fotos, pode ser vista aqui:
https://visitgreenland.com/about-greenland/animals-of-greenland/

Destroços dum avião Lockheed T-33A, dos EUA, em 1968. Ficou sem combustível porque o aeródromo estava fechado devido a uma tempestade de neve. Os pilotos salvaram-se.

A Gronelândia é a maior ilha do mundo e tem a segunda maior reserva de gelo do mundo, a seguir à Antártida. Aqui vê-se o espetacular Glaciar Russell, a cerca de 25 km de Kangerlussuaq, o qual possui paredes de gelo que chegam aos 60 metros de altura. Este Glaciar está ativo, avança cerca de 25 metros todos os anos. E à medida em que o gelo se move lentamente pelas paisagens montanhosas, o seu poder invisível esmaga a rocha debaixo, produzindo assim um acúmulo de depósitos de pedras e sedimentos finos e escuros. Estes sedimentos são na verdade areia fina, argila e cascalho que resultaram do peso do esmagamento do gelo. É um verdadeiro testemunho das grandes forças que a natureza pode exercer.
Já na Patagónia tive o privilégio de ver e caminhar em glaciares, mas isto é sempre uma emoção. Kangerlussuaq já está dentro do Círculo Polar Ártico. A Patagónia e os seus glaciares ficam perto do Pólo Sul, na Antártida; agora estou no Círculo Polar Ártico, perto do Pólo Norte.

Aqui parámos um pouco e serviram-nos café, chá e bolachas, para recuperarmos da emoção.

Regresso à zona do aeroporto, onde se situa o alojamento para esta noite.

Mas ainda viramos à esquerda para ir jantar num restaurante perto. (O único, calculo, a 5 km de Kangerlussuaq).

O restaurante fica ali em frente, e reparem no lago gelado. Este lago fornece água doce a Kangerlussuaq e chama-se Tasersuatsiaq, ou então “Lago Ferguson” para os amigos. O nome em inglês deriva do facto dos EUA terem aqui antigamente uma base aérea. Hoje é uma cidade e um aeroporto civil, mas antes era militar. Devia ser complicado para os americanos dizerem o nome verdadeiro do lago. Para os americanos, para os portugueses e para toda a gente exceto para os gronelandeses.

O gronelandês é a língua oficial da Gronelândia. O dinamarquês é ensinado na escola a partir do 1º ano como segunda língua. O gronelandês é a língua mais popular da família de línguas esquimó-aleútes. As línguas esquimó-aleútes compõem uma família de idiomas falados na Gronelândia, no Ártico canadiano, no Alasca, e em partes da Sibéria, na Federação Russa.¹

Um medalhão com carne de boi-almiscarado e outro de rena (sé me faltava comer a rena do Pai Natal). Tudo delicioso neste restaurante chamado Rowing Club ou Roklubben.

A coroa dinamarquesa vale menos do que o euro. Vejo que em 2015 (data em que decorre esta viagem) o valor era idêntico a 2019, a data em que publico estas crónicas. Uma coroa são 13 cêntimos de euro. O último prato da lista (lombo de borrego) custa 338 coroas dinamarquesas, o que corresponde a 45€.

Estes cilindros cinzentos têm origem militar (e quem souber o que é, que me diga), mas agora são usados como cinzeiros. Vêem-se as beatas neste da frente.

A Gronelândia tem uma população de cerca de 56.000 pessoas², dos quais 88% são inuit ou mestiços de dinamarqueses e inuit. Os inuit (ou inuítes) são os esquimós, os povos indígenas que habitam esta região em torno do Círculo Polar Ártico.
Os restantes 12% da população são de origem europeia, principalmente dinamarqueses.
A maioria da população é cristã luterana.
Quase todos os gronelandeses vivem ao longo de fiordes, aqui no sudoeste, onde existe um clima relativamente ameno.³

Kangerlussuaq

Esta foto foi tirada pela NASA e mostra o Manto de Gelo do Pólo Norte, bem com o da Gronelândia, à direita.

Relativamente ao facto da Gronelândia ser a maior ilha do mundo – e não a Austrália. Porque a Austrália é considerada um continente, não uma ilha. “Ou excluímos as massas de terra continentais, o que faz com que a Gronelândia ganhe o prémio tendo a Austrália como não participante; ou incluímos os continentes, com a Austrália a ficar em terceiro lugar atrás da massa combinada da Ásia, Europa e África (permitindo a natureza artificial do Canal de Suez) e das Américas. Ambas – Gronelândia e Austrália – naturalmente são significativas “massas de terra cercadas por água”.⁴
Mapa retirado de Wikimedia.


¹ “Línguas esquimó-aleútes” (s.d.). Wikipedia. Página consultada a 11 Março 2019,
<https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_esquim%C3%B3-ale%C3%BAtes>

² “Population” (2019). Statistics Greenland. Página consultada a 11 Março 2019,
<http://www.stat.gl/dialog/topmain.asp?lang=en&subject=Population&sc=BE

³ “Gronelândia – Demografia” (s.d.). Wikipedia. Página consultada a 11 Março 2019,
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Gronel%C3%A2ndia>

⁴ “Greenland is described as “the world’s largest island” by a variety of encyclopaedias” (s.d.). The Guardian. Página consultada a 11 Março 2019,
<https://www.theguardian.com/notesandqueries/query/0,,-3078,00.html>

04 – Voo para Nuuk e Embarque no Navio

Repare-se no “Mar de Labrador”. Foi assim nomeado em homenagem ao explorador português João Fernandes Lavrador, que, juntamente com Pêro de Barcelos, exploraram a região em 1498.

Embarque no navio Sarfaq Ittuk, onde pernoitarei duas noites. Esta embarcação navega para cima e para baixo ao longo da costa oeste da Gronelândia e também é usada pelos próprios gronelandeses. À medida em que a embarcação atraca nas cidades costeiras, vêem-se as pessoas a chegarem e a partirem, a reunirem-se ou a despedirem-se das famílias.

O meu quarto no navio, ou mais exatamente a minha cabine, que vim a descobrir que dá para quatro pessoas, quando experimentei abrir as gavetas todas.

Agora que as bagagens ficaram na cabine, vou incluída numa excursão à cidade de Nuuk. Uma guia leva-nos de autocarro, explica ao grupo onde estão as principais atrações, nomeadamente o Museu Nacional da Gronelândia, e a tarde é livre para passear.

Regresso ao Sarfaq Ittuk (a pé).

E partimos.

Chegada a Maniitsoq. Breve paragem de meia hora.

E partimos novamente.

Pequeno-almoço.

Ficou desfocada, é pena, mas mantive-a.

70 DKK (coroas dinamarquesas) anda pelos 9 euros e pouco. Mas eu tenho pensão completa no navio, sem bebidas incluídas.

Em Kangaamiut, mas ninguém sai do barco. Os passageiros que entraram, foram trazidos pela lancha que se vê nas fotos, pertencente ao nosso navio Sarfaq Ittuk.

Jantar.

A viagem no navio prossegue.
Não há noite por aqui. É sempre dia e tenho de fechar bem a janela para não ser incomodada pela luz, enquanto durmo.

05 – É Dia 24h por Dia, não Anoitece – Dia Polar

Almoço.

Atracagem na segunda maior cidade da Gronelândia: Sisimiut.

O litro do Diesel é 6,20 DKK (coroas dinamarquesas), o que corresponde a 0,83€. A Benzina é 6,05 DKK, o que corresponde a 0,81€.

Acordei às três da manhã com o barco a estremecer fortemente (a minha cama abana toda), e a colidir com algo ruidosamente. E repetidamente. Estamos a navegar aos encontrões. Espreitei pela janela e nem quis acreditar no que via: placas de gelo. O navio vai a furar no meio de placas de gelo. Vesti-me apressadamente – o que é complicado, dada a enorme quantidade de roupa que é preciso vestir. Vou para o convés do navio, são três da manhã, não há sol (mas é dia), pelo que tenho mesmo de ir com roupa térmica. Portanto este “apressadamente” se calhar significou ainda alguns minutos. E depois tenho de ser rápida a sair da cabine do navio, pois uma pessoa cuida de morrer lá dentro, com calor, com tanta roupa vestida. É preciso ir rapidamente para o frio, sob pena de ficar alagada em suor. Faz um frio de rachar, aqui no convés. A operação de tirar as luvas para mexer na máquina fotográfica é difícil. As mãos enregelam num instante e perco a sensibilidade. O nariz também.

Todas estas fotos azuladas foram tiradas às 3 da manhã. Não há sol – ele anda perto o suficiente para iluminar, mas não é direto. É um brilho azulado e chama-se “Dia Polar”, dado que ocorre nas regiões polares. Por oposição, a “Noite Polar” é a noite que dura mais de 24 horas seguidas.

Fotografei esta placa para mostrar as três línguas: gronelandês, dinamarquês e inglês. O gronelandês é mesmo complicado.

A sala onde em breve irei tomar o pequeno-almoço.

O espantoso amanhecer.

O sol já derreteu o gelo que havia no convés, esta noite.

Tenho collants de lã vestidos, calças de fato de treino bem grossas, e finalmente as calças térmicas de neve.  Também uma dúzia de camisolas, uma delas térmica. Não tenho calor nenhum. Não faço ideia que temperatura faz.

06 – Chegada a Ilulissat

Breve paragem em Aasiaat. Passeio livre.

Regresso ao Sarfaq Ittuk.

Almoço.

O navio teve de fazer muitas manobras para conseguir meter-se entre o porto e este bloco de gelo.

Terminou a viagem no navio Sarfaq Ittuk, e agora ficarei alojada em Ilulissat nas próximas quatro noites. Aqui em Ilulissat esperam-me várias aventuras: um passeio de barco à meia-noite (é sempre dia, recordo), uma espantosa caminhada sozinha pelas montanhas geladas – creio que esta foi das maiores aventuras que alguma vez tive na vida – e um emocionante passeio de helicóptero.
Ilulissat, aqui estou eu para desbravar-te.

Mesmo em frente ao Fiorde de Gelo Ilulissat – uma maravilha do mundo que está na Lista do Património Mundial da UNESCO. Em gronelandês chama-se “Ilulissat Kangerlua”.

A receção do hotel.

Na Gronelândia são reconhecidos três dialetos principais: o dialeto do norte Inuktun ou Avanersuarmiutut (conseguiram ler isto?… leva algum tempo…) falado por cerca de 1000 pessoas na região de Qaanaaq; o gronelandês ocidental ou Kalaallisut que serve de padrão à língua oficial; e o dialeto do leste Tunumiit oraasiat ou Tunumiutut falado na parte oriental da Gronelândia.¹
Isto é mera curiosidade sobre a língua, pois pressuponho que esta placa esteja na língua oficial, sem dialeto nenhum. Não bastava a dificuldade da língua, ainda mais os dialetos.

O Sarfaq Ittuk parte novamente, e agora vai voltar para trás, em direção a Nuuk, e seguirá mais para sul, até Qaqortoq.
O site do Sarfaq Ittuk é este: https://aul.gl/en/schedule/
Vejo que a minha viagem entre Nuuk e Ilulissat custa 4.700 coroas dinamarquesas numa “cabine single”. Todas as cabines têm 4 camas, mas eu fui em regime “single”, pelo que são 4.700 coroas, ou seja, 630€. Não é brincadeira. Apenas duas noites. Se eu estivesse com um grupo de 4 pessoas poderíamos dividir a cabine entre nós, mas aquilo é minúsculo para 4 pessoas. Só se for um casal e dois filhos, e mesmo assim não é nada famoso. Não admira que os gronelandeses se despeçam das famílias como se elas fossem para muito longe. A estes preços quem é que pode deslocar-se… E são preços da época baixa, em Maio. Se fosse na época alta, de Junho a Agosto, o preço da minha viagem seria de 6.250 coroas, ou seja, 837€. E ainda faltam as refeições. É certo que a minha cabine é a opção mais cara. A opção mais barata é uma “couchette”, que é um quarto partilhado com oito beliches, e custa 1.800 coroas cada (241€). Nem tem cobertor, as pessoas usam sacos-cama, ou então têm de comprá-lo à parte. A agência de viagens gronelandesa não me deu a escolher, o pacote inclui uma cabine, não um beliche. E efetivamente eu queria uma cabine.

As primeiras fotos de Ilulissat. Aqui estou no Círculo Polar Ártico.
Oceano Atlântico, mais exatamente no mar chamado Baía de Baffin, o qual faz a ligação com o Oceano Ártico.

Ilulissat significa “iceberg” em gronelandês. Antes chamava-se Jakobshavn – dado que foi estabelecido aqui um entreposto comercial em 1741 pelo comerciante Jacob Severin.² “Havn” significa “porto” em dinamarquês. Era o Porto de Jakob, portanto.

O jantar.

E o pequeno-almoço.

A agência de viagens organiza um passeio a pé até Sermermiut. Eu vou com o grupo, seguindo a guia.

O cão da Gronelândia. (Em gronelandês é “Kalaallit Qimmiat”). Muito usado para puxar trenós, antigamente. Hoje é mais usado para companhia ou para efeitos turísticos.


¹ “Gronelândia – Língua” (s.d.). Wikipedia. Página consultada a 14 Março 2019,
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Gronel%C3%A2ndia>

² “Ilulissat” (2017, 29 Março). 2014-26 Town Plan for Qaasuitsup Municipality. Página consultada a 14 Março 2019,
<http://qaasuitsup-kp.cowi.webhouse.dk/en/plans_for_towns_and_settlements/ilulissat/>

07 – A Soberba Caminhada Sozinha pelas Montanhas Geladas & Knud Rasmussen

As duas placas indicam as direções e as distâncias. A placa da esquerda, com a linha azul, indica a direção de Sermermiut e a distância de 1,1 km. É para aqui que nos dirigimos. A placa da direita, com a linha amarela, indica a direção da central elétrica, com a distância de 2,7 km. Nós vimos daqui.
Por esta altura ainda estou a caminhar atrás duma guia, juntamente com cerca de dez pessoas.

Chegámos a Sermermiut, localizada na Baía de Disko. Este é o Fiorde de Gelo Ilulissat (“Ilulissat Kangerlua”, em língua gronelandesa, e “Ilulissat Icefjord”, em inglês).
“Fiorde” é uma entrada do mar entre as montanhas. Essa entrada – esse caminho – foi traçado por um glaciar. Neste caso o Glaciar Sermeq Kujalleq.
O Fiorde de Gelo Ilulissat foi declarado património da humanidade pela Unesco em 2004. De acordo com o site da Unesco:

O Fiorde de Gelo Ilulissat (40.240 hectares [o que corresponde a 402 km²]) é onde o glaciar Sermeq Kujalleq desemboca no mar, um dos poucos glaciares através dos quais a massa de gelo da Gronelândia alcança o mar. O Sermeq Kujalleq é um dos glaciares mais rápidos (avança 40 metros por dia) e mais ativos do mundo. Anualmente distribui mais de 46 quilómetros cúbicos de gelo, ou seja, 10% da produção de gelo desprendido na Gronelândia e mais do que qualquer outro glaciar fora da Antártida. O glaciar Sermeq Kujalleq continua a erodir ativamente o leito do fiorde.
A combinação dum enorme lençol de gelo e duma corrente de gelo glaciar que se move rapidamente desprendendo icebergs num fiorde é um fenómeno visto apenas na Gronelândia e na Antártida. Ilulissat oferece aos cientistas e aos visitantes um acesso fácil para uma visão próxima da frente do glaciar a desprender pedaços de gelo provenientes da Massa de Gelo para dentro do fiorde.
A combinação selvagem e altamente cénica de rocha, gelo e mar, juntamente com os sons dramáticos produzidos pelo gelo em movimento, combinam-se para apresentar um espetáculo natural memorável.¹

A placa indica:
Perigo extremo!
Não ande na praia. Morte ou ferimentos graves podem ocorrer. Risco de ondas súbitas de tsunami causadas pelo desprendimento de icebergs.

Os pedaços de gelo que se desprendem do glaciar e caiem na água por vezes são tão grandes que não conseguem flutuar e ficam retidos nas partes menos fundas do fiorde, às vezes durante anos, até serem quebrados por outros pedaços de gelo.

E agora é que vai começar a minha aventura. Estão a ver aquelas pedras azuis no canto inferior esquerdo? É a indicação dum caminho. Há um caminho para fazer “hiking”, ou seja, caminhadas.
O que eu fui descobrir. Pedras azuis que levam não sei onde. A guia e o grupo não vão seguir este caminho. Eles chegaram ao fim do passeio, em Sermermiut, e agora vão-se embora.

E parti sozinha. Não faço ideia onde vai dar, não faço ideia quanto tempo durará. Voltarei para trás se a coisa se complicar. Vou só experimentar um bocadinho. São 10.30h da manhã.

Aqui está o primeiro objetivo a atingir. O primeiro pico. A primeira montanha está feita.

Segunda montanha, segundo pico. Já subi e desci duas montanhas. Estes picos estão a dar-me uma pica desgraçada, a verdade seja dita. Não vou parar tão depressa. Tenho de ver até onde vai isto. Eu tenho que seguir isto. Está-me no sangue. É a minha natureza. Não posso sair daqui sem seguir este caminho. Não posso sair deste país sem seguir este caminho.

Aquela coisa pequenina lá em cima é o terceiro pico a atingir. Já subi e desci três pequenas montanhas.
Estou consciente dos riscos. Não é suposto fazer uma caminhada sozinha pelas montanhas geladas. Ninguém sabe exatamente onde estou, ou por que caminho me meti. Não há rede de telemóvel. Se eu escorregar e fizer um simples entorse no tornozelo, terei que esperar até que se lembrem de vir procurar-me. Se eu não aparecer logo à noite, quanto tempo esperarão antes de mandarem alguém procurar-me?
Quando chegarem, a Rute estará geladinha. Congeladinha. Roxa. Bye bye.

Estou no bom caminho! Caminho certo. Pedrinhas azuis! Sinto-me como um rato atrás do queijo. Caramba que vou seguir isto até ao fim.

Outra pedrinha azul. Magnífico.

Agora na parte de trás tenho esta terra. Já não é mau. A foto foi tirada com o zoom no máximo, ela não está assim tão perto. Efetivamente não faço ideia onde estou, mas tenho seguido as pedras azuis que conseguem vislumbrar-se na neve, e vou em direção aos picos assinalados nos topos das pequenas montanhas. No Verão há-de haver caminhos, mas agora não há nada. Só neve, rochas e gelo. Devo ir a corta-mato, de certeza, por cima da neve.

É preciso ter cuidado com estes lagos gelados. Cuidado onde ponho os pés. Não cair dentro dum buraco destes. Com este frio não convém.
O site oficial do Fiorde indica:

Um clima severo, distâncias consideráveis e um terreno intransponível exigem um foco extra na segurança quando se visita o Fiorde de Gelo Ilulissat, considerado Património da Humanidade. Na parte local da Área do Património Mundial, há uma ponte eficiente para caminhar, que oferece passagem segura e fácil. O resto da Área do Património Mundial é inóspita e você não pode esperar encontrar pessoas que o ajudem numa emergência. Não há cobertura de satélite para telemóveis, com exceção da área mais próxima de Ilulissat. Por essa razão, até acidentes menores em trajetos mais curtos nesta área podem tornar-se graves.
Operações de busca e salvamento provavelmente envolverão o uso de helicópteros. Isso é caro e, se a situação for auto-infligida, a pessoa em perigo pode ter que pagar pela ação tomada.²

SEGURANÇA A Pɳ:
Infelizmente, buscas por caminhantes perdidos no Fiorde de Ilulissat ocorrem regularmente. Acidentes graves podem ser evitados se você:

Informar outras pessoas sobre o seu paradeiro e o horário em que planeia regressar – A guia e o grupo viram a ovelha negra a desviar-se nesta direção. Mas não faço ideia a que horas vou regressar.
Conversar com outras pessoas que conhecem a área – Até conversaria, mas não se vê vivalma.
Não caminhe sozinho – Oops…
Traga um mapa – Oops… (Mas para quê? Só se for um mapa branco com pintas de rochas).
Traga roupas quentes e impermeáveis – Estou de collants de lã e calças de fato de treino. As calças da neve ficaram no hotel. Mas estou bem, quente, a caminhar, com uma dúzia de camisolas, uma delas térmica.
Levar comida e bebida – Oops…
Verifique a previsão do tempo (névoa súbita e espessa não é incomum durante os meses de verão) – Oops… (Mas qual verão?.. ah pois, caminhadas no inverno nem sequer existem, só falam em caminhadas durante o verão).
Volte antes de ficar muito cansado ou super-resfriado – Qual cansaço, estou pronta para uma semana disto. (E vim mais tarde a descobrir que efetivamente se realizam caminhadas de uma semana, por aqui. Mas no verão apenas).

Pegadas! Houve gente recentemente por aqui! Se calhar vieram da vila lá de baixo. Não vi pegadas desde Sermermiut.
E agora subir isto. Parece fácil, mas não é.

Se eu escorregar e resvalar, arrisco-me a ir parar dentro do lago gelado que há em baixo. Se começo a escorregar, é muito difícil parar.
Estou sozinha. Ninguém sabe que estou aqui.
Geladinha. Congeladinha. Roxa. Bye bye.
É melhor acabar a aventura, Rute. É altura de voltar para trás.

Efetivamente fiz seis pequenas montanhas, e neste ponto voltei para trás. Repeti as mesmas seis montanhas e fiz portanto doze pequenas montanhas geladas ao longo do Fiorde de Gelo Ilulissat.

Mais tarde, já em Lisboa, virei a descobrir na internet este mapa, com o caminho azul. Eu vim a pé do centro de Ilulissat. O início das linhas azul e amarela será com certeza as duas placas da primeira foto acima.
Pela fotografia anterior, com uma baía, só pode ser aquela parte assinalada no mapa com uma cruz (desenhada por mim). Consegui ir até aí, e a partir desta zona voltei para trás. A pequena vila que fotografei está a 1,5 km, aproximadamente.
Mapa retirado de Ilulissat Kangia.

Mais uma pedrinha azul, vou no bom caminho, agora de regresso a Ilulissat. Esta nem a vi quando ia em sentido contrário.

Tirar fotos exige que eu tire as luvas, e essa operação é delicada. Faz muito frio. Não posso estar parada muito tempo a apreciar a paisagem, e muito menos tirar as luvas. Mas caramba, tenho que registar este momento. Rapidamente. A mais soberba caminhada que alguma vez fiz. Sozinha. À mercê do frio e da natureza, num cenário fantástico. Pus a câmera no chão, em contagem descrescente, e depois de algumas tentativas, esta ficou boa. Estou a enregelar sorridentemente. (Tira luvas; carrega nos botões; corre; calça luvas novamente; tira a foto), mas pronto, esta recordação será sempre minha.

Dado que a água se acabou, enchi a garrafa com gelo e meti-a dentro do quispo e das primeiras camisolas (diretamente junto ao corpo esqueçam lá…). Mas a neve não derreteu nem por nada. De facto cheguei a Ilulissat e a água continuava perfeitamente gelada. Ao menos que derretesse um bocadinho. Nada. Resultado: trinquei a neve diretamente do chão. Que nem um cão. Ou um boi-almiscarado da Gronelândia. Tenho que hidratar-me.

Rute geladinha. Congeladinha. Roxa. Bye bye. Numa destas campas branquinhas. Seria uma morte gloriosa, ao menos. Morrer congeladinha no Fiorde de Gelo Ilulissat.
E terminada a linha azul, não estando satisfeita, fui conhecer a linha verde. Mais uma montanha, esta extremamente fácil, sem gelo sequer. Foram portanto sete montanhas para lá, e as mesmas sete montanhas para cá. A caminhada durou seis horas. Comecei cerca das 10.30h em Sermermiut (efetivamente comecei do hotel, com o grupo, mas não conto com essa parte) e cheguei ao centro de Ilulissat às 16.30h. Eu tinha apenas uma barra de cereais comigo e foi o que comi. Qual almoço…
Já nem tirei fotos desta caminhada pela linha amarela. Perfeitamente inócua, comparada com a estimulante linha azul.
Aqui já cheguei a Ilulissat. Com fome. São quatro da tarde.

Agora tenho o Museu Knud Rasmussen para visitar. Fecha às 17h. Tenho trinta minutos. E vai ser agora, com fome ou sem fome, porque amanhã posso não conseguir, tenho outras atividades previstas, e é muito importante visitar este Museu. Pedi água à funcionária. Bebi água. (A garrafa continua cheia de gelo: nem quando acabei a visita ao Museu – com o interior bem quente – a neve derreteu. Caramba. Esta neve da Gronelândia é resistente).

Knud Rasmussen – um explorador do Ártico – nasceu e foi criado nesta casa. Nasceu a 7 de junho de 1879, e morreu a 21 de dezembro de 1933, com 54 anos, em Copenhaga, vítima duma pneumonia após uma intoxicação alimentar por kiviak, uma iguaria inuit, que o terá deixado enfraquecido. Está enterrado no cemitério Vestre (Vestre Kirkegard, em Copenhaga. Eu visitei o Assistenz Kirkegard – mais outra para voltar a Copenhaga e ver o que falta).

Knud Rasmussen era metade inuit e metade dinamarquês. Foi o primeiro a fazer a Passagem do Noroeste num trenó puxado por cães, em 1922. Entre as várias expedições que fez, não só pela Gronelândia, mas por toda a região do Ártico, como Alasca e Canadá, a sua quinta expedição, conhecida como a “Quinta Expedição Thule” (1921–1924), foi projetada para ser uma expedição etnográfica com o objetivo de responder à “grande questão das origens da raça esquimó”. Falante nativo da língua dos Inuit, o conhecimento de Rasmussen sobre a religião e a vida interior, a voz e o espírito dos Inuit, permanecem um clássico da literatura polar e etnográfica. A língua inuit é difícil de traduzir e a posição única de Rasmussen ao dominar ambas as culturas mostra-se indispensável.

Um Inuit Shaman revelou a Rasmussen: “Toda a verdadeira sabedoria só pode ser encontrada longe das habitações dos homens, em grande solidão; e só pode ser obtida através do sofrimento. Sofrimento e privação são as únicas coisas que podem abrir a mente do homem para o que é escondido dos seus companheiros”.⁴

Sobre a Quinta Expedição, Rasmussen escreveu um livro com dez volumes: “Across Arctic America”, cujas primeiras edições são raras e caras, indo de 50 a 100 dólares no mercado de livros usados⁴.

Recentemente foi feito um filme baseado neste livro da Quinta Expedição: “The Journals of Knud Rasmussen” (2006), do mesmo realizador de “Atanarjuat: The Fast Runner” (2001), o qual tem sido considerado um dos dez melhores filmes canadianos.
Ainda não vi o “The Journals (…)”, mas vi o outro no cinema – “The Fast Runner” – feito inteiramente por Inuítes, e recomendo vivamente. Vi-o no cinema King, em Lisboa. Ainda havia cinema King a passar filmes de esquimós.

“Atanarjuat: The Fast Runner” (2001)
Trailer: https://www.imdb.com/title/tt0285441/

“The Journals of Knud Rasmussen” (2006)
Trailer: http://www.isuma.tv/isuma/the-journals-of-knud-rasmussen-trailer

Esta crónica já vai longa, pelo que deixo um conto de esquimós, recolhido por Knud Rasmussen, para a próxima crónica.


¹ “Ilulissat Icefjord” (s.d.). United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO). Página consultada a 17 Março 2019,
<http://whc.unesco.org/en/list/1149>

² “Saftey” (s.d.). Ilulissat Kangia. Página consultada a 17 Março 2019,
<http://www.kangia.gl/Besoeg%20isfjorden/Sikkerhed?sc_lang=en>

³ “Safety on Foot” (s.d.). Ilulissat Kangia. Página consultada a 17 Março 2019,
<http://www.kangia.gl/Besoeg%20isfjorden/Sikkerhed/Sikker%20til%20fods?sc_lang=en>

⁴ “Across Arctic America by Knud Rasmussen”, Internet Archive. Página consultada a 17 Março 2019,
<https://archive.org/details/acrossarcticamer006641mbp>

08 – Passeio de Barco à Meia-Noite & Lendas de Esquimós

O hotel onde estou hospedada também tem iglos para os turistas ficarem.

Um passeio de barco. Para ver os icebergs e o sol da meia-noite.
Relembro que nunca anoitece nesta altura do ano. As janelas do hotel deixam sempre entrar luz, parece que estou a dormir durante o dia. Há quem não se habitue e tenha dificuldade em dormir. Eu estive bem.

Petiscos servidos no barco, um deles típico da Gronelândia: Halibute fumado. Também é conhecido por linguado da Gronelândia. É um peixe de águas profundas, com uma distribuição circumpolar no hemisfério norte. O seu nome científico é Reinhardtius hippoglossoides.
O Halibute é a segunda espécie mais pescada na Gronelândia, onde a pesca é vital para a economia. A pesca do halibute da Gronelândia é uma parte importante da economia aqui da baía de Disko, em Ilulissat. O WWF (World Wide Fund For Nature) indica que é uma espécie em risco, nesta zona, devido à sobrepesca durante sucessivos anos¹.

Total de pesca em 2017, na Gronelândia:
Marisco 44 mil toneladas
Bacalhau do Atlântico 36 mil toneladas
Halibute da Gronelândia 27 mil toneladas²

Halibute
Foto retirada de World Wide Fund For Nature

Finaliza o passeio da meia-noite.

Aproveito este passeio para contar uma história popular que faz parte da tradição Inuit, retirada deste livro de Knud Rasmussen:

A mulher que teve um urso como filho adotivo

Era uma vez uma mulher idosa que vivia num local onde as outras pessoas viviam. Ela vivia perto da costa, e quando aqueles que viviam em casas acima tinham estado a caçar, davam-lhe carne e gordura de baleia ou foca.
E dado que caçavam habitualmente, de vez em quando apanhavam um urso, de modo que frequentemente comiam carne de urso. E eles voltaram para casa com um urso inteiro. A mulher idosa recebeu um pedaço das costelas como sua parte, e levou-o para casa. Depois de ela ter voltado para casa, a mulher do homem que matou o urso foi até à janela e disse:

“Querida velhinha, gostaria de ter um filhote de urso?”

E a velhinha foi buscá-lo e levou-o para casa, tirou a lâmpada e colocou o filhote, porque estava congelado, em cima da armação de secagem para descongelar. De repente, notou que ele se moveu um pouco e tirou-o para aquecê-lo. Então ela assou um pouco de gordura, pois ouvira dizer que os ursos viviam de gordura, e assim o alimentou a partir de então, dando-lhe torresmos para comer e derretendo gordura para beber, e ele ficava ao lado dela à noite.

E depois dele ter começado a deitar-se ao lado dela à noite, cresceu muito rapidamente, e ela começou a falar com ele na fala humana, e assim ganhou a mente dum ser humano, e quando desejava pedir comida à sua mãe-adotiva, ele farejava.
A velhinha agora não sofria mais, e os que moravam perto traziam comida para o filhote. Às vezes, as crianças vinham brincar, mas a velhinha dizia:
“Pequeno urso, lembra-te de recolher as tuas garras ao brincar com as crianças.”
De manhã, elas vinham até à janela e chamavam:
“Ursinho, sai e brinca connosco, pois agora vamos brincar.”
E quando eles saíam para brincar juntos, ele partia em pedaços os arpões de brinquedo das crianças, mas sempre que queria empurrar qualquer uma delas, recolhia sempre as garras. Até que finalmente ficou tão forte que quase sempre fazia as crianças chorarem. E quando se tornou tão forte que as pessoas crescidas começaram a brincar com ele, ajudaram a velhinha a tornar o urso ainda mais forte. Mas depois de algum tempo nem os homens crescidos se atreviam a brincar com ele, tão grande era a sua força, e então eles disseram uns para os outros:
“Vamos levá-lo connosco quando sairmos para caçar. Pode ajudar-nos a encontrar focas.”
E assim, um dia, ao amanhecer, chegaram à janela da velhinha e gritaram:
“Pequeno urso, anda e ganha uma parte do que apanharmos; anda caçar connosco, urso.”
Mas antes do urso sair, ele farejou para a velhinha. E então saiu com os homens.
No caminho, um dos homens disse:
“Pequeno urso, tu deves ir contra o vento, porque se não o fizeres, a caça vai sentir o teu cheiro e assustar-se.”

Um dia, quando tinham saído para caçar e estavam a voltar para casa, chamaram a velhinha:
“Quase foi morto por caçadores do norte; quase não conseguimos salvá-lo vivo. Dê-lhe, portanto, alguma marca pela qual ele possa ser reconhecido; um colarinho largo de tendões trançados no pescoço.
E assim a velha mãe-adotiva fez uma marca para ele usar; um colar de tendões trançados, tão largo quanto uma linha de arpão.
E depois disso, nunca ele falhou a apanhar focas, e era mais forte até do que o mais forte dos caçadores, e nunca ficava em casa mesmo durante o pior tempo. Também não era maior que um urso comum.

Todas as pessoas das outras aldeias agora sabiam disto, e embora às vezes quase o apanhassem,  soltavam-no sempre assim que viam o colar.
Porém agora as pessoas para lá de Angmagssalik ouviram que havia um urso que não podia ser apanhado, e então um deles disse:
“Se alguma vez eu o vir, matá-lo-ei.”
Mas os outros disseram:
“Não deves fazer isso; a mãe-adotiva do urso mal poderia aguentar-se sem a sua ajuda. Se o vires, não não lhe faças mal, deixa-o em paz assim que vires a sua marca.”

Um dia, quando o urso chegou a casa, como de costume, da caça, a velha mãe-adotiva disse:
“Sempre que encontrares homens, trata-os como se fosses um deles; nunca lhes faças mal, a menos que eles te ataquem.”
O urso ouviu as palavras da mãe-adotiva e fez o que ela disse.
E assim a velha mãe-adotiva manteve o urso com ela. No verão, ele saía para caçar no mar e, no inverno, no gelo, e os outros caçadores aprenderam a conhecer a sua maneira e recebiam partes das suas capturas.

Certa vez, durante uma tempestade, o urso estava a caçar, como de costume, e só chegou a casa à noite. Então ele farejou para a sua mãe-adotiva e estendeu-se no banco, onde era o seu lugar na parte sul da casa. Então a velha mãe-adotiva saiu da casa e encontrou lá fora o corpo dum homem morto que o urso trouxera. Sem entrar de novo, a mulher idosa correu para a casa mais próxima e chamou à janela:
“Estão todos em casa?”
“Porquê?”
“O pequeno urso chegou a casa com um homem morto, que eu não conheço.”
Quando houve luz, eles saíram e viram que era o homem do norte, e puderam ver que ele tinha corrido muito, pois havia tirado as roupas de pele e estava apenas com as roupas interiores. Posteriormente, ouviram dizer que foram os seus companheiros que insistiram para o urso resistir, pois ele não o deixaria em paz.

Muito tempo depois disto acontecer, a velha mãe-adotiva disse ao urso:
“É melhor não ficares aqui comigo sempre; serás morto se o fizeres; e isso seria uma pena. É melhor deixares-me.
E ela chorava enquanto dizia isto. Mas o urso baixou o focinho para o chão e chorou, de tal forma sofria por se afastar dela.
Depois disso, a mãe-adotiva saía todas as manhãs assim que a madrugada vinha, para olhar o tempo, e se havia apenas uma nuvem no céu do tamanho duma mão, ela não dizia nada.

Todavia uma manhã, quando ela saiu, não havia nem uma nuvem tão grande como uma mão, e então ela entrou e disse:
“Pequeno urso, agora é melhor ires; tens a tua própria família lá fora.
Mas quando o urso estava pronto para partir, a velha mãe-adotiva, chorando muito, mergulhou as mãos em óleo e sujou-as com fuligem, e acariciou o lado do urso quando ele se despedia dela, mas de tal maneira que ele não podia ver o que ela estava a fazer. O urso farejou para ela e foi-se embora. Mas a velha mãe-adotiva chorou durante todo o dia, e os seus companheiros no local lamentaram também a perda do urso.

Mas os homens dizem que, no extremo norte, quando muitos ursos estão no exterior, às vezes aparece um urso tão grande quanto um iceberg, com uma mancha preta de lado.

Aqui termina a história.³

Aqui já entrei no sexto dia na Gronelândia (de oito no total). E começa um novo passeio de barco com o intuito de ver baleias. Mas não houve baleias nenhumas, elas resolveram ir passear para outro lado. Não deixou de ser bonito na mesma, porém, o passeio.

Sobre o colar de “tendões” que a história contém (“sinew”, em inglês), efetivamente é uma característica da cultura Inuit, que a partir dos tendões das renas, por exemplo, faz linhas para costurar, ou mesmo cordas de arco. Deixo um vídeo onde pode ser vista uma Inuit do Canadá a mostrar como se trata os tendões dos animais. Neste vídeo também se vê uma “armação de secagem” onde a mulher idosa do conto pôs o bebé-urso a secar:
https://www.youtube.com/watch?v=tI21FQd0h3I

Num segundo vídeo, pode ver-se o corte dos tendões de um veado:
https://www.youtube.com/watch?v=o8vr3yqMjMA

E neste terceiro vídeo, a partir do minuto 3’50’’, pode ver-se como se fazem cordas a partir dos tendões secos:
https://www.youtube.com/watch?v=MahAjBrW4uw

Sobre o livro dos “Contos Esquimós”, a sua introdução é bastante significativa:

“As histórias foram coletadas em várias partes da Gronelândia por Knud Rasmussen, retiradas dos lábios dos próprios esquimós contadores de histórias. Nenhum homem está melhor qualificado para contar a história da Gronelândia ou as histórias do seu povo. Knud Rasmussen é em parte de origem esquimó; a sua infância foi passada na Gronelândia e, para a Gronelândia voltou uma e outra vez, estudando, explorando, cruzando o deserto do interior gelado, fazendo coleções únicas de material, tangível e de outros tipos, de todas as partes desta terra vasta e pouco conhecida, e as suas realizações nestas várias expedições trouxeram-lhe muita honra e a apreciação de bastantes sociedades eruditas.
Porém é como intérprete da vida nativa, dos hábitos e costumes dos Esquimós, que ele realizou a sua maior obra. “Kunúnguaq” – este é o nome nativo de Knud Rasmussen – é conhecido em todo o país e possui a confiança dos nativos num grau superlativo, tornando-se ele próprio, por isso, um elo entre eles e o resto do mundo.”⁴

A guia que acompanha o grupo.

A partir de agora é tarde livre, o grupo dispersa-se, e eu vou dar uma volta por Ilulissat.

O calor aumenta nitidamente, ao longo dos dias. As calças térmicas já estão no chão.

Quase que não se vêem os pássaros na foto, mas são “Escrevedeiras-das-neves”, ou em inglês “Snow Bunting” (Plectrophenax nivalis). É uma espécie do Ártico, residente aqui na Gronelândia, entre outros países nórdicos. No entanto, pelo que vejo no site da IUCN (International Union for Conservation of Nature) este pássaro também passa por Portugal e Espanha⁵.

Neste link estão listados os pássaros da Gronelândia.
Fazendo busca nesta página por “Snow Bunting”, e clicando nele, pode ouvir-se o seu canto.

Isto parece ser a gordura de baleia ou de foca falada no conto esquimó, mas não tenho a certeza.

Um cartaz afixado na entrada do mercado, sobre o facto do Glaciar Sermeq Kujalleq estar a derreter, e consequentemente a reduzir de tamanho e a acelerar de velocidade (por deslizar mais facilmente). As notícias que podemos acompanhar nos media são alarmantes. Esta é de Fevereiro de 2018:

Polo Norte está 30 graus acima do normal

Estes episódios de subida das temperaturas não são uma boa notícia para o gelo do Ártico, cuja superfície nunca foi tão reduzida nesta época desde o início dos registos, há mais de 50 anos.
Para ter uma medida mais precisa, é preciso ir ao extremo norte da Gronelândia, “onde se registaram 6,2º C no domingo”, acrescentou Kapikian. “É um valor excecional, cerca de 30º C acima do que é normal para a época, acentuou.
Em torno do arquipélago norueguês de Svalbard, a leste da Gronelândia, a superfície de gelo medida na segunda-feira era de 205.727 quilómetros quadrados, ou seja, menos de metade da superfície média do período 1981-2010, segundo os registos noruegueses.
“É difícil dizer que um acontecimento está ligado ao aquecimento global. Mas esta tendência que observamos, um Ártico quente, um continente frio, pode estar ligada às alterações climáticas”, respondeu Marlene Kretschmer, climatologista no Instituto de Potsdam para a investigação sobre as alterações climáticas.
De forma global, os climatologistas consideram provável ver o Oceano Ártico sem gelo no verão até 2050.⁶

E veja-se esta notícia sobre os Ursos Polares, de Fevereiro de 2019:

Ursos polares que invadiram ilhas russas: solução pode ser o abate

Medo de sair à rua. Medo de ser atacado. Receio de deixar os filhos ir à escola. Este é o ambiente que se vive na região de Novaya Zemlya, na Rússia. A região declarou estado de emergência depois de ter sido invadida por mais de 50 ursos polares. Nos últimos dois meses, a população tem sido assolada por ataques e invasões às suas casas.
Esta invasão por parte dos ursos polares está ligada às alterações climáticas. Com o gelo do Ártico a derreter, os animais são obrigados a invadir a terra para procurar alimento e estão a passar por um período de carência alimentar, de acordo com um estudo realizado no ano passado e partilhado na revista Science. A região do Ártico está a aquecer duas vezes mais rápido que o resto do planeta, segundo vários estudos científicos.⁷

Isto é uma tristeza infinita.

Conforme referido acima, a pesca e a indústria pesqueira são a principal atividade económica na Gronelândia.

Uma das casas mais antigas da Gronelândia.

O cão da Gronelândia.


¹ “Much at stake in Greenland halibut overfishing” (2017, 25 Agosto). World Wide Fund For Nature. Página consultada a 18 Março 2019,
<http://wwf.panda.org/?309430/Much-at-stake-in-Greenland-halibut-overfishing>

² “Greenland in Figures 2018 – Fishing”. Statistics Greenland, 15ª Edição, pág. 25. Página consultada a 18 Março 2019,
<http://www.stat.gl/publ/kl/GF/2018/pdf/Greenland%20in%20Figures%202018.pdf>

³ Rasmussen, Knud (1921) “Eskimo folk-tales”. “The Woman who had a Bear as Foster-Son”. Pp 40-43. Edited and rendered into English by William Worster, Publisher: Gyldendal, Copenhagen. Livro online disponível em “Internet Archive”. Consultado a 18 Março 2019,
<https://archive.org/details/eskimofolktales00rasm/page/40>

⁴ Worster, William (1921) “Introduction to Eskimo folk-tales, by Knud Rasmussen”. Pág. 11. Publisher: Gyldendal, Copenhagen. Livro online disponível em “Internet Archive”. Consultado a 18 Março 2019,
<https://archive.org/details/eskimofolktales00rasm/page/n11>

⁵ “Snow Bunting”, BirdLife International 2016. The IUCN Red List of Threatened Species 2016. Página consultada a 18 Março 2019,
<https://www.iucnredlist.org/species/22721043/89345729#habitat-ecology>

⁶ “Polo Norte está 30 graus acima do normal enquanto Europa treme de frio” (2018, 27 Fevereiro). Jornal de Notícias. Página online consultada a 18 Março 2019,
<https://www.jn.pt/mundo/interior/polo-norte-esta-30-graus-acima-do-normal-enquanto-europa-treme-de-frio-9149626.html>

⁷ “Ursos polares que invadiram ilhas russas: solução pode ser o abate” (2019, 14 Fevereiro). Diário de Notícias. Página online consultada a 18 Março 2019,
<https://www.dn.pt/mundo/interior/ursos-polares-invadem-ilhas-russas-solucao-pode-ser-o-abate-10575952.html>

09 – Passeio de Helicóptero & Despedida

Como se pode calcular, foi uma verdadeira emoção, o passeio de helicóptero. Se calhar até é melhor tomar um calmante antes 🙂

A cidade de Ilulissat.

Na “Introdução” destas crónicas estão duas fotos tiradas nesta baía: a que tem uma mesa para piqueniques, e a que tem a casa com uma bandeira da Gronelândia.

Museu de Arte de Ilulissat.

Supermercado.

Uma igreja.

Ao final da tarde muita gente caminha pelas estradas, a sair do trabalho e da escola, e a dirigir-se para casa. Ilulissat é uma terra pequena, não justifica carros ou mesmo motos.

Amanhece. Último dia na Gronelândia. Esta foto foi tirada do hotel.

A caminho do aeroporto.

Voo de Ilulissat para Nuuk, ainda na Gronelândia. Depois haverá outro voo de Nuuk para Copenhaga. Chegarei já de noite, cerca das 23h, ao hotel de Copenhaga. E no dia seguinte, terei um terceiro voo de Copenhaga para Lisboa.

Portugal e a Ponte 25 de Abril.

Adeus gelo e terras geladas! Aqui estou eu de volta à quente e solarenga Costa da Caparica!!